Pedagogia de Projetos no Ensino Híbrido

Com o isolamento social imposto pela pandemia do Covid-19 ficou nítido que hoje os processos de ensinar e aprender exigem muito mais flexibilidade espaço-temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação.

A pedagogia de projetos já invadiu o cotidiano de grande parte das escolas brasileiras. Atualmente há uma preocupação constante em desenvolver projetos didáticos e/ou pedagógicos em sala de aula. Na era dos games e da internet, das mensagens coloridas e rápidas, dos textos curtos e movimentados em flash, da interatividade e da globalização, projetar significa melhorar a educação e não continuar a manter o ritmo dos professores conteudistas com longas falas e cópias infindas.

As crianças parecem já nascer “plugadas”, conectadas, com múltiplos olhares e sentidos aguçadíssimos. Chegam à escola ávidas por novidades, por interação, desejam explorar tudo e todos. Ainda não sabem ler, mas navegam nos diferentes sites e, se não têm acesso à internet como meio de comunicação, são criadas em ruas movimentadas onde os estímulos variados criam nelas uma esperteza peculiar.

No Brasil, o trabalho com projetos ganhou força com a influência da educação espanhola, através dos autores Fernando Hernandez e Miguel Zabalza. Suas obras e propostas impulsionaram a busca por aulas contextualizadas e menos fragmentadas.

Se a metodologia baseada em projetos é mais atraente aos alunos, igualmente estimula os professores, movimentando-os, levando-os a romper a rotina mecânica de livros didáticos e buscar novas ideias, soluções alternativas, criativas e inovadoras. Motiva-os a pesquisar novas fontes, ler diferentes gêneros, manter o olhar atento ao que pode ser útil em sua empreitada.

Segundo Philippe Perrenoud, planejar, organizar e dirigir situações de aprendizagem é uma das competências que o professor deve ter para ensinar. Nessa concepção o movimento de projetar tem fornecido subsídios para uma pedagogia mais dinâmica, centrada na criatividade e na atividade discente, numa perspectiva de construção do conhecimento pelos alunos, mais do que na transmissão de conteúdo pelo professor.

Um trabalho eficaz baseado em projetos é refletido na postura dos educadores, tornando-se um desafio, uma forma de repensar a escola e o currículo, a prática pedagógica em si. Nos ambientes escolares crianças com apenas três anos estudam Monet e cozinham, cantam e dançam tanto ao ritmo de Carmem Miranda quanto de Mozart e ainda escutam histórias da literatura de cordel. Não há mais espaço para a mera repetição, para a decoreba sem fundamento, para a história mal contada. Todo o conhecimento é uma espetacular surpresa. A pesquisa é crucial e a participação da família é valorizada e benquista.

Na prática:

1) A função do projeto é a de tornar a aprendizagem real e atrativa, tornando a escola um espaço agradável, sem impor os conteúdos programáticos autoritariamente. Assim, o aluno busca e consegue informações, lê, conversa, faz investigações, formula hipóteses, anota dados, calcula, reúne o necessário e converte tudo isso em ponto de partida para a construção e ampliação de novas estruturas cognitivas.

No Ensino Híbrido a ideia é lançar propostas e desafios adequados à cada faixa-etária e receber o feedback dos alunos, tendo consciência que nem todos responderão ao mesmo tempo, já que isso dependerá da realidade de cada família.

As vídeo aulas devem ser curtas e sempre com objetivo de que seus alunos façam uma descoberta ou atividade relacionada ao que foi explanado.

2) O trabalho com projetos é riquíssimo, mas para ser realmente eficaz espera-se que o professor: contextualize os conteúdos articulando-os nas diferentes disciplinas; diversifique as atividades, utilizando novas metodologias, estratégias e materiais de apoio; domine tecnologias que facilitem a aprendizagem dos alunos; acolha e respeite a diversidade, utilizando-a pra enriquecer sua aula; maneje bem a classe sabendo lidar com o imprevisto; administre seu desenvolvimento profissional criando planos de estudo e trabalho; envolva-se nas questões da escola, desempenhando outras funções alem das tradicionais da sala de aula; trabalhe em equipe com os outros professores; estabeleça uma parceria constante com os pais e a comunidade. Não é um trabalho fácil, mas possível e bastante gratificante.

É fundamental propor atividades através de recursos variados: os alunos podem responder por escrito, por áudio, vídeo, fotografias, desenhos, etc.

3) Há de se entender que a pedagogia de projetos não pode ser uma técnica, sujeita a regras predeterminadas, inflexíveis. Os projetos são processos contínuos que não podem ser reduzidos a uma lista de objetivos e etapas. É uma postura que reflete a concepção de conhecimento como produção coletiva, quando a experiência vivida e a produção cultural sistematizada se entrelaçam dando significado às aprendizagens construídas, as que servem não só à resolução dos problemas daquele projeto específico, mas que poderão ser aplicadas em outras situações, tornando assim, os alunos capazes de estabelecer relações e utilizar do conhecimento apreendido sempre que necessário.

Propor músicas, artes plásticas, jogos e brincadeiras para os alunos e suas famílias. Uma coisa por vez e sempre visando materiais simples que todos possam ter em casa, sem esquecer de solicitar o feedback, o registro do que foi feito em casa.

Valorizar a contação de histórias e aproveitar para plantar a semente da leitura prazerosa, tanto nos alunos como em seus familiares. Histórias e gêneros textuais diversos devem ser abordados: poesias, fábulas, receitas, histórias em quadrinhos, histórias reais, fictícias, notícias, etc. Aposte na fantasia, imaginação, experiências lúdicas, investigativas e desafiadoras. Nada de obrigatoriedade e cobranças visando uma futura avaliação, pois isso extinguirá o prazer.

4) O desafio é construir um ambiente de diálogo, de trocas, de compartilhar relacionamentos, saberes e vivências dos sujeitos envolvidos, em um processo problematizador, crítico social, e, por consequência, autorreflexivo.

Além das plataformas de ensino à distância outros recursos podem ser grandes aliados neste processo de Ensino Híbrido, o WhatsApp por exemplo – através de grupos com pais e/ou alunos; chamadas individuais com dia e hora marcados e tempo estipulado – para sanar dúvidas dos pais, orientá-los em relação as atividades propostas; conversar com os alunos em relação ao seu desenvolvimento como um todo. No caso dos grupos avise de antemão os dias e horários em que estará disponível para interação. 

5) Os projetos de trabalho não se inserem apenas numa proposta de renovação de atividades, tornando-as mais criativas. Vão além: fazem parte de uma nova concepção de educação que exige um repensar da prática pedagógica e das teorias que a estão embasando.

Crianças precisam de tempo para o brincar livre e sem tecnologia. Através do brincar a criança se desenvolve de forme integral nos aspectos cognitivos, afetivos, físico-motores, morais, linguísticos e sociais. Por isso, é de suma importância oportunizar e valorizar tais momentos.


 Profª Paty Fonte – Consultora e conferencista educacional. Especialista em Educação Infantil e Pedagogia de Projetos. Escritora, autora dos livros: Projetos Pedagógicos Dinâmicos; Pedagogia de projetos: ano letivo sem mesmice; Competências Socioemocionais na escola, todos publicados pela WAK Editora. Idealizadora e diretora do site Projetos Pedagógicos Dinâmicos: www.ppd.net.br

Um comentário em “Pedagogia de Projetos no Ensino Híbrido

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    A Pedagogia de Projetos é realmente a forma mais prazerosa de ensinar e aprender.

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