Ensino Híbrido na Educação Infantil

Você sabia que o Ensino Híbrido não se caracteriza apenas pelo uso das tecnologias?

O ensino híbrido também conhecido pelo termo em inglês blended learning é uma das metodologias ativas da aprendizagem onde se encara o conhecimento como algo disponível em todos os lugares e não concentrado apenas entre os muros da escola. Assim sendo, integra atividades on-line e off-line, valoriza o protagonismo do aluno que já navega na internet com propriedade e precisa ser desafiado a aprender a aprender, a ter sede pelo saber, a ser protagonista do seu processo de aprendizagem.

Dentre as várias estratégias, o Ensino Híbrido mescla aulas síncronas (todos ao mesmo tempo, seja presencialmente ou no mundo virtual) e assíncronas (cada um no seu tempo).

Portanto, não adianta ter o laboratório de informática e todos os alunos com acesso à internet em casa para que se caracterize o Ensino Híbrido.

A ideia é lançar propostas e desafios adequados à cada faixa-etária e receber o feedback dos alunos, tendo consciência que nem todos responderão ao mesmo tempo, já que isso dependerá da realidade de cada família.

Os feedbacks podem ser: um pequeno vídeo, uma foto, um áudio, um desenho, uma atividade por escrito, etc.

Além disso, é preciso termos cuidado com o uso excessivo de telas quando se trata de crianças de 0 a 5 anos.

Você sabia que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) crianças de até 4 anos devem passar, no máximo, uma hora em frente as telas de forma sedentária?

Em contrapartida, tenho visto também um uso excessivo de livros didáticos e atividades sistematizadas (as famosas folhinhas xerocadas) para ensinar na primeira infância.

Pensando em tudo isso, e também na dificuldade das famílias em promoverem o desenvolvimento de seus filhos juntamente com a escola, listei algumas propostas de atividades visando inspirar os planejamentos.

É fundamental garantir os 6 direitos de aprendizagens das crianças: brincar, conviver, participar, expressar, explorar e conhecer-se.

Talvez seja o momento de resgatar Montessori e as atividades de vida prática.

 

8 atividades que promovem o desenvolvimento infantil no Ensino Híbrido

Pareamento com meias

Espalhe meias de cores, estampas e tamanhos variados e proponha que a criança encontre o par e grude com pregador de roupa. Tal atividade desenvolve habilidades e compreensão de cores, coordenação motora fina, competências organizacionais e percepção visual.

 

 

 

 

 

 

 

Estender roupas no varal

A atividade trabalha a classificação, organização, desenvolvimento psicomotor, pois melhora o movimento de pinça, promove a imaginação e favorece o jogo simbólico.

Com um varal na altura das crianças e tiras coloridas de tamanhos variados inúmeras propostas podem ser realizadas.

Explique às famílias que o movimento de pinça desenvolve a coordenação motora fina – aquela que precisa do uso dos músculos pequenos das mãos e do antebraço para realizar atividades que requerem precisão e refinamento.

Essa habilidade se desenvolve progressivamente ao longo do tempo, mas é importante estimular adequadamente desde cedo

Para uma boa alfabetização é preciso desenvolver bastante a coordenação motora fina.

 

 

 

 

 

 

Classificação e seriação com potes de cozinha

Espalhe potes abertos de cores e tamanhos variados. A criança deve ser estimulada a encontrar as tampas corretas. Todavia, a atividade pode ser expandida: um pote dentro do outro, do maior para o menor, do mesmo tamanho, da mesma cor, etc.

Dessa forma, a criança se familiarizará com a observação dos atributos de cada peça e o levantamento das semelhanças e diferenças entre os objetos de uma coleção, dando início ao processo de classificação e seriação. Esses processos só poderão ocorrer se o adulto permitir que as crianças interajam com objetos.

A classificação é uma operação lógica de importância fundamental em nossas vidas, pois nos ajuda a organizar a realidade que nos cerca.. É através da classificação que o sujeito adquire a capacidade de separar objetos, pessoas, fatos ou ideias em classes ou grupos, utilizando como critério uma ou várias características comuns. Esse processo pode se estabelecer de forma concreta, com a manipulação de objetos, materiais ou de forma mental, onde é utilizado o processo de classificação apenas mentalmente, sem a utilização de materiais.

 

 

 

 

 

 

 

Empilhar potes ou caixas

Após ser desafiada a tampar os potes corretamente as crianças ainda podem explorar a melhor maneira de empilhá-los.

Nas atividades de empilhar trabalha-se: percepção visual, coordenação motora e noção espacial.

Proponha atividades de empilhar materiais variados: caixas, potes, latas, etc.

 

 

 

 

 

 

Classificar os brinquedos

Os brinquedos podem ser agrupados por tamanhos, por cores, por formatos, até mesmo propor que as crianças façam a sua própria classificação. Neste caso, é fundamental que ela possa argumentar explicando qual o critério utilizou em sua classificação.

Além da classificação já iniciamos a noção de conjunto que será abordada lá no Ensino Fundamental, mas tudo de forma bastante lúdica e concreta.

As famílias podem ser orientadas a realizar a atividade e depois aproveitar para arrumar parte dos brinquedos junto com os filhos. Que tal?

 

 

 

 

 

 

Relacionar forma ao objeto

Muito mais interessante do que ligar as figuras como é proposto em atividades nos livros didáticos e, certamente mais significativo para a criança, é propor um desafio assim.

Em uma folha de papel Kraft, ou outra similar, faça o contorno de objetos parecidos, como os pares de sapatos das pessoas da família, por exemplo. Depois, basta estimular para que os pequenos encaixem corretamente os sapatos em seus contornos.

Ao término da atividade todos devem juntos guardar os sapatos nos lugares certos.

 

 

 

 

 

 

Contagem lúdica

Na atividade a seguir trabalha-se o conceito dos números, as cores e o movimento de pinça – coordenação motora fina.

Para ficar mais interessante pode se providenciar um lanchinho saudável e a criança conta, reconhece a cor, prende a quantidade certa e depois vale, por exemplo: 4 pedacinhos de banana, 5 pedacinhos de morango, 6 goles de suco, etc…

Conseguindo estipular a tabela dos alimentos nas cores dos pregadores, melhor ainda!

As famílias vão adorar otimizar o tempo: desenvolvendo a atividade do ensino híbrido enquanto alimenta a criança.

Não esqueça de solicitar o feedback através de fotos e/ou pequenos vídeos.

 

 

 

 

 

 

Criando personagens

A proposta é desenvolver a criatividade criando bonecos com materiais diversos, como: rolinhos de papel higiênico, colheres de pau ou de plástico, caixinhas, latas, etc.

No processo de criação estimular a criança para os detalhes: Será que não falta nada nesta boneca? Que tal um enfeite na roupa ou no cabelo? Como podemos fazer?

Após a criação, deixar fluir a imaginação em diferentes brincadeiras.

 

Com rolo de papel higiênico, papel, lã, resto de cartela de remédio, cola, tesoura, canetas e lápis de cor criamos uma personagem.

Ao criar exploramos a coordenação motora, desenvolvemos o senso estético e o poder criativo. Em seguida, mergulhamos no mundo da imaginação…
Nossa personagem ganha vida, nome, preferências, sonhos… Ganha também um cenário para fotografar.

Atenção!

É fundamental explicar bem a intencionalidade pedagógica de cada atividade ao propor às famílias, assim como enfatizar o quanto a criança aprende e se desenvolve brincando.

Oriente cada detalhe das atividades e cobre o feedback das mesmas.

Como feedback entende-se um registro do desenvolvimento da atividade: foto ou pequeno vídeo com relato de como foi a realização: a criança gostou, não gostou, foi fácil, quis repetir, se recusou a fazer, disse algo interessante, entre outras questões.

Valorize os registros das atividades, crie um mural virtual para compartilhamento das fotos e vídeos.


Paty Fonte – Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora dos livros “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar”, “Pedagogia de Projetos – Ano letivo sem mesmice” e “Competências Socioemocionais na escola” –  publicados pela editora WAK; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante. Idealizadora do site ppd.net.br

 

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