Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade: Como trabalhar em sala de aula

Introdução

1.1 – Conhecendo o Transtorno

Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio apresentado pela criança identificado como uma linguagem corporal diferente e um comportamento inadequado.

Algumas características são: a desatenção, agitação, excesso de atividade, emotividade, impulsividade e baixo limiar de frustração que afetam a integração da criança com todo o seu mundo: em casa, na escola e na comunidade em geral (Goldstein, 1994). É um distúrbio de interação, sendo que seu diagnóstico é difícil e complexo.

Pelo lado científico, o TDAH tem maior probabilidade de desenvolverem-se nos meninos, pois eles representam maiores níveis de atividade, sendo representados em torno de 90%. No entanto, meninos e meninas podem apresentar problemas iguais como resultados de hiperatividade.

Dois tipos de hiperatividade são encontrados nas crianças;

  • Desatenta agitada e não impulsiva
  • Desatenta agitada e impulsiva

Uma pesquisa realizada por Goldstein,(1994) conclui-se que aproximadamente 20 a 30% das crianças com TDAH podem ter problemas de desatenção sem problemas significativos de excesso de atividade ou impulsividade, ainda, tais crianças têm maior probabilidade de desenvolver depressão de ansiedade, de comportamento perturbador e um desempenho escolar mais fraco tendo maior dificuldade de aprendizagem.

O diagnóstico não é feito apenas por um questionário e sim por vários testes e por etapas levando o profissional capacitado a chegar à conclusão se a criança é hiperativa.

Devem-se pesquisar as causas específicas do TDAH podendo ser: hipertireoidismo oxiurose (verminose), apnéia do sono (suspensão de respiração), anemia por falta de ferro, efeitos colaterais de medicamentos e drogas antialérgicas. Lembrando que a maioria das crianças com esse transtorno não apresentam esses problemas .

Para a apresentação de um diagnostico é preciso à coleta e observação de oito tipos de informação, sendo eles:

Histórico – é um relato de desenvolvimento da criança e da própria família, incluindo métodos usados para impor disciplina, sinais precoces de temperamento difícil, lembranças dos pais sobre acontecimentos da vida da criança. Nesta etapa se enquadram principalmente as crianças na faixa etária dos três anos. No entanto é importante ressaltar que não se pode classificar a criança como hiperativa apenas por esse fator.

Inteligência – Goldstein (1994), coloca que inteligência seja o conjunto de aptidões e habilidades que predizem até que ponto um indivíduo pode atuar bem em várias situações(pag.42). Crianças com inteligência abaixo da média ficam provavelmente mais frustradas pelas exigências cada vez maiores impostas pela escola e pela vida. Daí uma maior probabilidade de apresentarem problemas de hiperatividade, como resultado de uma frustração e não de uma dificuldade temperamental.

Personalidade e desempenho emocional – uma avaliação completa da hiperatividade precisa conter dados sobre o funcionamento emocional da criança e sua personalidade atual. Algumas crianças hiperativas são conscientes de seu problema, porém não todas. Nesse caso, a avaliação se utiliza uma série de questionários padronizados que avalia depressão, ansiedade e personalidade. As crianças respondem a tal questionário e suas respostas são comparadas com as de crianças normais, sendo que essa avaliação inclui uma entrevista com a criança.

Desempenhos escolares– cerca de 20 a 30% das crianças hiperativas apresentam alguma deficiência em habilidades específicas, que interferem na sua capacidade de aprender, por isso, elas necessitam de uma educação direita e especial. Um dado importante ressaltado pelo autor é de que bem provavelmente tratamentos para a hiperatividade não têm muito efeito sobre aquilo que tais crianças aprendem.

Amigos – A avaliação dos amigos e das capacidades sociais da criança é, geralmente, obtida por meio de entrevistas com pais e professores,questionários, e uma entrevista com a criança.

Disciplina e comportamento em casa – A forma como os pais interagem com a criança é um fator que determina o nível de gravidade dos problemas que a criança hiperativa possa ter em casa. É importante a observação da criança em diferentes ambientes, pois há uma probabilidade de que os sintomas da hiperatividade sejam indicadores de outras dificuldades que a criança possa ter.

Comportamento em sala de aula – Nesse caso é importantíssima a percepção e observação do professor sobre a capacidade da criança seguir regras e limites e respeitar a autoridade na sala de aula. Há crianças que se tornam cada vez mais desatentas e isoladas. Outras adotam um comportamento típico de oposição e de desafio, ou então, tornam palhaços da sala de aula. Cuidadosamente é necessário considerar tudo o que é observado, para verificar se os sintomas podem refletir algum outro tipo de distúrbio emocional, de aprendizagem ou clínico da criança.

Consulta medica – Como já citado o diagnostico clínico é essencial no processo de avaliação da criança.

Para uma avaliação esses dados são importantes, são de diferentes áreas sendo possível chegar a uma conclusão, que deverá ser apresentada com cuidado aos pais, para que não se revoltem e deixem de entender qual a dificuldade que seu filho está passando e devem ser apresentadas informações para que os mesmos saibam trabalhar com o transtorno.

1.2 – As mudanças comportamentais em sala de aula

Em uma sala de aula com algum aluno que possua o TDAH, esse exige certa atenção do professor que freqüentemente acaba entrando em conflito com um aluno já que o ele não atinge o resultado esperado pelo professor.

A criança hiperativa se move na sala de aula todo o tempo mostrando uma variedade de comportamento, desatenção inquietamente em sua carteira podendo ser intitulada como desobediente. A desatenção pode degradar o desempenho acadêmico da criança, evidenciando por caligrafia desleixada, erros por desatenção e papéis enxovalhados (Edyleine, 2000, pág.46).

Isso passa aos outros alunos já que eles não fazem os seus deveres por estar com atenção voltada ao conflito entre professor e criança hiperativa.

Essas crianças muitas vezes mostram uma grande atuação em sala de aula, pois o fato delas não permanecerem por muito tempo “quieto” não significa que ela não tenha a capacidade de aprendizagem necessária, pelo contrario o pouco tempo que conseguem concentração aprendem o mesmo que as crianças normais.

Goldstein (1994) relata que o comportamento da criança hiperativa é desigual, imprevisível e não reativo as intervenções normais do professor. Poucos professores têm conhecimento sobre o TDAH, obtendo uma percepção errada sobre o mesmo.

1.3 – O relacionamento entre professor e criança hiperativa

O professor deve estar em sintonia com os pais para que possam orientar e trabalhar com a criança hiperativa, ele tem grande influencia sobre o sucesso escolar da criança hiperativa, ele não deve estabelecer o conflito entre professor e aluno. A criança é vista pelo professor com certo desinteresse ou apatia.

Abaixo segue uma lista de sugestões baseadas numa combinação de pesquisas cientificas, julgamento profissional e senso comum de como os professores devem ser (Goldstein, 1994, pág. 113).

  • O professor sabe sobre hiperatividade em criança e está disposto a reconhecer que este problema tem um impacto significativo sobre as crianças da classe.
  • O professor parece entender a diferente entre problemas resultantes de incompetência e problemas resultantes de desobediência.
  • O professor não emprega como primeira opção o reforço negativo ou a punição como meios para lhe dar com problemas e para motivar as crianças em sala de aula.
  • A sala de aula é organizada.
  • Existe um conjunto claro e consistente de regaras na classe. Exige-se que todos os alunos aprendam as regras.
  • As regras da sala de aula estão colocadas num cartaz colocado na sala apara que todos vejam.
  • Existe uma rotina consistente e previsível na sala de aula.
  • Um professor exige e segue restritamente as exigências especificas a comportamento e produtividade.
  • O trabalho escolar fornecido é compatível com o nível de capacidade das crianças.

Segundo Edyleine (pág. 49 – 2000) além da importância do estilo de interação que o professor estabelece com a criança e/ou adolescente, é essencial também que este tenha experiência, se recicle profissionalmente e que, também, adote uma filosofia (abordagem) sobre o processo educacional. Ter informações de como o professor lida com dificuldades de outras crianças, como encara o TDAH e se tem interesse em ajudá-las são questões que devem ser levantadas durante o processo de escolha do professor.

1.4 – A escola adequada

Deve-se ter conhecimento se a escola é apropriada para receber um aluno com o transtorno caso não seja possível a escolha, como em cidades pequenas, é necessários expor os problemas aos membros da mesma.

Abaixo alguns aspectos que devem ser analisados quanto a escolha da escola (Edyleine, 2000, pág. 48).

  • Deve discutir-se com a equipe escolar a respeito da noção que esta tem sobre TDAH, o que é como a escola faz para receber tais alunos.
  • Levar em conta o trabalho da classe. O tamanho ideal é aquele que comporta entre doze a quinze alunos. Questionar se os professores recebem treinamento e suporte extra de outros profissionais como pedagogos, psicopedagogos e/ou psicólogos.
  • Verificar qual a posição da escola a respeito de uso de medicação, que mecanismo a escola utiliza para sua administração, se acredita em seu benefício ou não
  • Verificar se a escola apresenta uma política para ações disciplinares. Quais os esforços que a escola poderá fazer para auxiliar a criança e não cometer erro e não apenas aplicar punições.
  • Verificar como se dá comunicação entre família e escola. Existe algum meio pela qual os professores podem advertir os pais diariamente quanto às principais dificuldades enfrentadas pela criança? Isto pode dar-se por meio de comentários no próprio caderno da criança, em uma agenda, ou, ainda, pessoalmente no final da aula. A comunicação entre família-escola é importante porque mantém pais e professores informados sobre o desempenho diário da criança.
  • Verificar se a escola é receptiva aos profissionais que acompanham a criança a fim de que possam juntos, discutir sobre o programa educacional e as possíveis recomendações. Se a escola e os professores mostram-se defensivos aos outros profissionais, deve procurar-se outra escola.
  • Deve questionar-se se há outras crianças na classe com outras dificuldades como as de aprendizagem, de comportamento ou emocionais. Se a classe tiver mais do que duas ou três crianças com problemas, deve solicitar-se outra classe, ou, ainda, outra escola.

Sem duvida a melhor escola é aquela que tenha total interação com o transtorno e que ofereça professores capacitados a ensinar e saber trabalhar com crianças hiperativas.

Justificativa

Escolhi esse tema por se tratar de um assunto que ainda assusta muito profissional da educação, porém não só a eles e sim aos pais de crianças hiperativas que se preocupam com a educação de seus filhos e pais de outras crianças que muitas vezes por não conhecer o que se trata o problema pensam que as crianças com transtornos poderão prejudicar seus filhos.

Procurei informações de como identificar uma criança hiperativa e os diagnósticos para a causa, é necessário saber como lidar com elas impondo limites, porém respeitando-as e ensinando elas a superar obstáculos que irão surgir.

Objetivo

O objetivo desse projeto é de obter orientações de como relacionar com crianças que possuem o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) em sala de aula, onde muitos professores têm certa dificuldade em diferenciar um aluno bagunceiro a um hiperativo.

O TDAH é um grande desafio para pais e professores; os pais não sabem como cuidar e que postura tomar dos problemas que surgem com o transtorno. Professores sem informação sobre o assunto ficam na mesma situação e muitas vezes não sabem o que fazer e que atitudes tomar.

A Hiperatividade é um assunto de difícil entendimento, pois há poucos livros relacionados; obtive grande dificuldade, pois os livros que existem geralmente são relacionados à área da psicologia e não da educação. Os professores possuem falta de informação sobre o transtorno e acabam rotulando as crianças hiperativas como bagunceiras, sem saber diferenciar.

Pretendo com esse projeto esclarecer e auxiliar pais e professores que ainda tem duvida sobre o transtorno.

Hipóteses

Penso que se o educador possui conhecimento sobre o transtorno ele poderia trabalhar melhor em sala de aula com os alunos, poderia conciliar os alunos normais com os hiperativos. Esses deviriam ser instruído sobre o transtorno durante o seu estudo, pois ao chegar à sala já saberiam como trabalhar.

Metodologia

O método utilizado para conclusão deste projeto foi o de Revisão Bibliográfica utilizando obras de autoras Norma Seltzer Goldstein, Michael Godstein e Edyleine Bellini Peroni Benczik que enfocam problemas e soluções dobre o TDAH.

Busquei informações necessárias para compreender os diferentes aspectos da hiperatividade, tais como comportamento e relacionamento do individuo hiperativo.

Referências bibliográficas
  • BENCZIK, Edyline Bellini Peroni. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: atualização diagnóstica e terapêutica: característica, avaliação, diagnóstico e tratamento: um guia de orientação para profissionais. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
  • GOLDSTEIN, S. e GOLDSTEIN, M. Hiperatividade: Como Desenvolver a Capacidade de Atenção da Criança. Campinas, SP: Papirus, 1994, 3 edição. (Série Educação Especial).
  • FUZINELLI, Regina de Cássia. Conhecendo a Hiperatividade . FCL; Araraquara, 1999

Naiara de Sá – Estudante de Pedagogia de Taquaritinga – SP

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