Tania Zagury – Escola sem conflito: projeto de parceria com as famílias

Tania Zagury: mestre em Educação, filósofa, pesquisadora, Professora Adjunta da UFRJ, mantém em seus livros uma linha de trabalho que se caracteriza pela pesquisa científica fundamentada no estudo de fatos colhidos na realidade social. A autora utiliza linguagem clara e objetiva, propiciando uma tal aproximação de seu leitor, que não só faz com que sua obra atinja pessoas de todos os níveis culturais, como também justifica a grande vendagem de seus livros. A produção literária de Tania Zagury é extensa, totaliza hoje 34 livros, muitos dos quais traduzidos para o exterior. 

Profª Paty Fonte – Diretora do site PPD – e a Educadora Tânia Zagury no XVI Congresso de Educação e Cidadania.

Profª Tânia Zagury é um exemplo de profissional que luta por uma educação de qualidade e defende a importância da escola em parceria com a família. Foi pioneira na discussão do papel dos limites na educação e tornou-se referência para pais e professores. O livro de sua autoria “Limites sem Trauma” é um dos títulos mais vendidos no Brasil e acaba de ganhar uma edição comemorativa pela Editora Record. 

Foi em 2013, em Maringá, no XVI Congresso de Educação e Cidadania promovido pelo SINEPE no PR que a Profª Paty Fonte teve a honra de conhecer pessoalmente a mestra Tânia Zagury, ambas ministraram palestras no evento que reuniu mil profissionais de educação.  

Confira algumas das principais falas de Tânia:  

POSTURA DE PAIS E PROFESSORES 

Não é que a escola e a família devem educar exatamente igual, até porque as funções são diferentes. Ambas são congruentes, paralelas e têm seu valor fundamental, mas são complementares. A família tem uma função socializadora básica, é a primeira instância socializadora da criança; e a escola completa esse papel. No momento, temos vivido muitos casos de ausência da família, pela desestruturação decorrente da vida moderna, pelo fato de que hoje pai e mãe trabalham fora o dia todo e têm menos tempo para conviver com os filhos. Por isso, a escola assume uma importância ainda maior atualmente, em especial quando os pais abrem mão do seu papel na construção de limites.  

LIMITES 

Sobre a questão do limite, eu comecei a abordar o assunto no início dos anos 90, uma época em que a psicanálise se popularizava, e se defendia tanto a liberdade, que era comum a ideia de que qualquer limite imposto à criança causaria problemas emocionais e traumas. Hoje, temos um grande número de jovens que se marginaliza ou que não possui concentração para aprender, e isso tem uma ligação direta com a falta de limites.  

Sem limites, uma criança não consegue nem parar para ouvir o que o professor diz. É preciso que os pais reencontrem o seu papel de geradores da ética, de formadores primários da cidadania. O professor, paralelamente, como sempre foi, vai reforçar essa cidadania, ensinando a se comportar e a se respeitar. As regras não causam nenhum mal à criança, muito pelo contrário – a não ser que sejam regras impostas sem razão nem motivo.  

PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NA ESCOLA 

Na medida em que percebem que os pais acompanham o trabalho da escola e, além disso, supervisionam e acompanham seus estudos, o cumprimento de tarefas e também seus progressos e dificuldades, os filhos começam a compreender a importância que o saber – e a escola é o veículo primeiro desse saber – tem para a vida moderna, o que é essencial.  

A participação não obrigatoriamente demanda muito tempo. Deve ser antes de tudo qualitativa, isto é, não é preciso ir à escola todos os dias, assumir funções em comissões ou algo assim; quem puder e quiser, pode fazê-lo, porém mais importante é deixar claro para os filhos que acreditam no trabalho da escola, que estudar não é opção, é obrigação e que os professores têm o apoio da família. Além disso, a supervisão às tarefas e a atenção que dão aos comunicados que o colégio envia, explicitam concretamente às crianças a dimensão que a família dá aos estudos. Atualmente o que a escola mais necessita ter é o apoio da família e da sociedade para poder fazer o seu trabalho de forma eficiente.  

A convivência sem conflitos entre família e escola só é possível se houver uma relação mútua de confiança; quer dizer, nem os pais devem criticar sem conhecer realmente o que está ocorrendo, nem a escola pode tratar os pais como “intrusos” ou considerar sua presença incômoda; ouvir com atenção o que a família reporta é fundamental; aliás ouvir e considerar, não apenas ouvir. É superimportante levar em conta relatos, reivindicações e sugestões; se os pais sentem que não estão falando com as paredes, tendem, cada vez mais, a confiar; e vice-versa. É preciso, no entanto, que a equipe técnico-pedagógica ouça, analise e dê um retorno. Mesmo quando não se aceita uma sugestão, se isso é explicitado de forma técnica, mas compreensível, costuma funcionar bem. A adesão dos pais é essencial e começa no momento em que se sentem aceitos e respeitados. 


Para saber mais sobre o trabalho da Profª Tânia Zagury acesse: 
http://www.taniazagury.com.br/ 

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