Rede Social na sala de aula

Os avanços tecnológicos, especialmente falando da Internet, trazem consigo mudanças nos sistemas de conhecimento, novas formas de trabalho e influenciam na economia, na política e na organização da sociedade. Estas mudanças que esses sistemas de conhecimentos provocam na sociedade aceleram processos, tornam instantâneas muitas ações de interesses econômicos e geram um novo quadro organizacional, determinando alterações no mercado de trabalho.

A Internet está explodindo como a mídia mais promissora desde a implantação da televisão. É a mídia mais aberta, descentralizada e, por isso mesmo, mais ameaçadora para os grupos políticos e econômicos hegemônicos.

A Internet também está explodindo na educação. Universidades e escolas correm para tornarem-se visíveis, para não ficar para trás. Uns colocam páginas padronizadas, previsíveis, em que mostram a sua filosofia, as atividades administrativas e pedagógicas. Outros criam páginas atraentes, com projetos inovadores e múltiplas conexões.

A educação presencial pode modificar-se significativamente com as redes eletrônicas. As paredes das escolas e das universidades se abrem, as pessoas se intercomunicam, trocam informações, dados, pesquisas.

Por tudo isso, propomos a realização de uma atividade diferente nos primeiros dias de aula, na qual o espaço virtual de relacionamento torna-se uma realidade dentro da escola.

A Internet é uma tecnologia que facilita a motivação dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. Essa motivação aumenta se o professor a faz em um clima de confiança, de abertura, de cordialidade com os alunos. Mais que a tecnologia o que facilita o processo de ensino-aprendizagem é a capacidade de comunicação autêntica do professor, de estabelecer relações de confiança com os seus alunos, pelo equilíbrio, competência e simpatia com que atua.

Como proceder?
  • Para iniciar a atividade converse com os alunos sobre o mundo virtual: sonde quem tem acesso a internet, quem gosta de se comunicar virtualmente, quem porventura não sabe usar o computador, etc.
  • Questione os alunos se gostam e conhecem sites de relacionamento. Liste os sites citados.
  • Aproveite para listar, também, os pontos positivos e negativos dos sites de relacionamento, assim como os cuidados que devemos ter ao nos comunicarmos com pessoas ainda desconhecidas.
  • Proponha transformar o espaço virtual em uma realidade, dentro de sala de aula, como uma forma de todos se conhecerem melhor. Assim, quebrará o gelo entre os alunos e facilitará a socialização, o entrosamento, além de o professor poder conhecer mais a fundo os gostos, preferências, necessidades e interesses do novo grupo.
  • Solicite que cada aluno crie um perfil no papel assim como o fazem nas redes sociais – permita que sejam criativos neste momento.
  • Organize um mural onde a margem deve ter o formato de um monitor. Pode acrescentar um mouse para incrementar.
  • Com todos os perfis prontos organize uma apresentação dos mesmos: pelos próprios alunos ou sorteie para um apresentar o outro. Pode, ainda, o professor dar pistas e o grupo ter que adivinhar de quem é o perfil.
  • Fixe os perfis no mural, montando a rede de amigos.

OBS: É interessante o professor, também, completar seu perfil, participando em pé de igualdade com o grupo.

Dependendo do interesse da classe o professor pode continuar o trabalho realizando outras atividades como:

  • Criar grupos e/ou comunidades de interesse da classe, separando os alunos por suas preferências, propondo que organizem as ideias por escrito e apresentem-nas aos demais.
  • Criar comunidades/páginas baseadas nas diferentes disciplinas, com temas sugeridos pelos professores. Como, por exemplo, um fato histórico, um local interessante, um escritor, um livro… Para criar as comunidades os alunos terão que pesquisar sobre o tema para, depois, apresentá-lo aos demais de forma atraente, estimulando-os se associarem. Conforme cada grupo for apresentando a sua os demais terão que dizer se seguiriam, curtiam, compartilhariam ou não, justificando suas respostas. A proposta é que cada um “venda” suas ideias para que sejam curtidas, seguidas e compartilhadas pelo maior número de colegas possível.
  • Permitir que os alunos se apresentem aos colegas através de fotos, vídeos e músicas preferidas. O professor pode criar um segundo mural com as preferências da classe.Sempre seguindo o estilo das redes sociais, instigando e sondando: Quem curte essa? Quem já conhecia? Quem gostaria de compartilhar? Por quê?
  • Solicitar que os alunos levem imagens acompanhadas de frases que os definem ou representam de alguma forma. O professor dinamizador da atividade recolhe todas elas e apresenta-as uma a uma instigando para que os demais respondam se curtem ou não, se compartilhariam ou não, sempre justificando. No final é interessante que descubram de quem é cada imagem /frase. Um outro mural pode ser criado com todas elas.
  • Organizar uma lista de e-mails dos alunos, criando um grupo virtual – uma lista de discussão – para que possam trocar mensagens diversas, com orientação do professor que deve se propor a moderar. É possível e muito fácil criar um grupo gratuito no Yahoo ou Google.
  • Criar um blog da classe para postar seus trabalhos, suas fotos, suas descobertas.

Ensinar utilizando a Internet pressupõe uma atitude do professor diferente da convencional. O professor não é o “informador”, o que centraliza a informação. A informação está em inúmeros bancos de dados, em revistas, livros, textos, endereços de todo o mundo. O professor é o coordenador do processo, o responsável na sala de aula.

Atenção!
  • Ensinar utilizando a Internet exige uma forte dose de atenção do professor. Diante de tantas possibilidades de busca, a própria navegação se torna mais sedutora do que o necessário trabalho de interpretação. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões possíveis, de endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem ininterruptamente. Tendem a acumular muitos textos, lugares, idéias, que ficam gravados, impressos, anotados. Colocam os dados em seqüência mais do que em confronto. Copiam os endereços, os artigos uns ao lado dos outros, sem a devida triagem. Portanto, cabe ao professor planejar bem o que vai ser trabalhado, orientando os alunos a analisar,comparar, separar o que é essencial do acidental, hierarquizando idéias, assinalando coincidências e divergências.
  • Alerte aos alunos que a pesquisa na Internet requer uma habilidade especial devido à rapidez com que são modificadas as informações nas páginas e à diversidade de pessoas e pontos de vista envolvidos. A navegação precisa de bom senso, gosto estético e intuição. Bom senso para não deter-se, diante de tantas possibilidades, em todas elas, sabendo selecionar, em rápidas comparações, as mais importantes.

O educador não deve simplesmente dizer ao aluno que aquele assunto não faz parte da aula. Pode pedir-lhe que grave rapidamente o que achar mais importante e que deixe para outro momento o aprofundamento desse novo assunto, para voltar logo que mais ao tema específico da aula.

  • Não podemos deslumbrar-nos com a pesquisa na Internet e deixar de lado outras tecnologias. A chave do sucesso está em integrar a Internet com as outras tecnologias – vídeo, televisão, jornal, computador. Integrar o mais avançado com as técnicas já conhecidas, dentro de uma visão pedagógica nova, criativa, aberta.
  • Criam-se todos os dias mais de cento e quarenta mil novas páginas de informações e serviços na rede. Há informações demais e conhecimento de menos no uso da Internet na educação. E há uma certa confusão entre informação e conhecimento. Temos muitos dados, muitas informações disponíveis. Na informação os dados estão organizados dentro de uma lógica, de um código, de uma estrutura determinada. Conhecer é integrar a informação no nosso referencial, no nosso paradigma, apropriando-a, tornando-a significativa para nós. O conhecimento não se passa, o conhecimento se cria, se constrói.
  • A Internet é uma ferramenta fantástica para abrir caminhos novos, para abrir a escola para o mundo, para trazer inúmeras formas de contato com o mundo. Mas essas possibilidades só acontecem se, na prática, as pessoas estão atentas, preparadas, motivadas para querer saber, aprofundar, avançar na pesquisa, na compreensão do mundo. Quem está acomodado em uma atitude superficial diante das coisas, pesquisará de forma superficial.

BIBLIOGRAFIA E DICAS DE LEITURA:

  • MORAN, José Manuel. Como Utilizar a Internet na Educação. Revista Ciência da Informação, Vol 26, n.2, maio-agosto 1997, pág. 146-153.
  • SOBRAL, Adail. Internet na Escola . São Paulo: Edições Loyola, 1999.

“Ninguém ensina ninguém, ninguém se auto-ensina, todos aprendem interagindo em propostas de conhecimento eminentemente humanistas”. (Paulo Freire)

 

 


Paty Fonte (Patricia Lopes da Fonte)

Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora dos livros “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar” e “Pedagogia de Projetos – Ano letivo sem mesmice”, ambos publicados pela editora WAK; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante.

Idealizadora e diretora dos sites: www.projetospedagogicosdinamicos.com e www.cursosppd.com.br

Contatos: www.patyfonte.com.br | www.facebook.com/pedagogiadeprojetos/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *