Projeto Terra sem Bullying

O bullying, processo repetitivo e constrangedor pelo qual milhares de alunos passam todos os dias nas escolas, é hoje um mal a ser combatido em caráter emergencial. A desinformação generalizada e o medo de diretores e professores de admitir a existência deste fenômeno em suas instituições de ensino têm propiciado o crescimento de atitudes agressivas de alguns alunos que não respeitam as diferenças, tornando-se cidadãos intolerantes e preconceituosos.

O bullying possui suas próprias características, e nem todo ato de violência entre pares ocorridos no ambiente escolar pode ser assim denominado (CRAIG 1998; FANTE 2005; NETO 2005; LISBOA 2005). Desta forma, o bullying não é uma categoria específica de violência, mas uma tipologia usada para identificar vários tipos de violência em um determinado grupo de estudantes.

Nas últimas décadas este fenômeno tem sido pesquisado por diversas áreas. Por meio destas pesquisas sabe-se que a vítima de bullying pode desenvolver sérios problemas psicossociais, ocasionando suicídio ou homicídio seguido de suicídio (Ando, 2005; Fante, 2005; Lisboa, 2009; Neto, 2007; Olweus, 1993). O caso mais famoso ocorreu em 1999, na cidade de Columbine, nos Estados Unidos, onde um jovem de 18 e outro de 17 anos mataram 12 colegas e um professor, deixando 23 pessoas feridas e, logo após, se suicidaram. Este incidente inspirou o documentário Tiros em Columbine (2002), do diretor Michael Moore, e Elefante (2003), do diretor Gus Van Sant. Um caso conhecido no Brasil é o do estudante de 18 anos da cidade de Taiuva, interior de São Paulo, em 2004. Ele sofreu agressões durante toda sua vida escolar e as transferiu aos colegas de escola, ferindo oito pessoas e se matando em seguida.

De acordo com Fante (2005), são inúmeras as formas de violência que nossos alunos brasileiros enfrentam na escola, dentre elas, gozações, humilhações, chantagens, ameaças e intimidações que promovem prejuízos no processo de aprendizagem destes educandos (FANTE, 2005, p. 16).

Na maioria das vezes as vítimas sofrem caladas por vergonha de se exporem ou por medo de represálias dos seus agressores, tornando-se reféns de emoções traumáticas destrutivas, como medo, insegurança, raiva, pensamentos de vingança e de suicídio, além de fobias sociais e outras reações que impedem seu bom desenvolvimento escolar. (FANTE, 2005, p. 16)

Segundo Lisboa (2009), políticas públicas voltadas para combater o bullying ainda são inexistentes no Brasil, embora o fenômeno já seja considerado um problema de saúde pública ocasionando debates em escolas e congressos. A violência nas escolas é um problema social grave e complexo e, provavelmente, o tipo mais frequente e visível da violência juvenil (NETO 2005, p. 165).

Algumas pesquisas confirmam que a escola é palco da violência e que o fenômeno bullying ocorre em todas as partes do mundo (Ando, 2005; Craig, 1998; Columbier, 2006; Constantini, 2004; Fante, 2005; Lisboa, 2009; Neto, 2005; Neto, 2007; Sullivan, 2001). Este é um fenômeno que traz prejuízos irreversíveis para suas vítimas. Devemos considerar alguns fatores de risco na ocorrência do bullying, como os de ordem econômica, social e cultural, aspectos inatos de temperamento e influências familiares, de amigos, da escola e da comunidade (NETO, 2005; p. 166). Lisboa (2009) complementa que as características individuais podem influenciar nos casos de violência entre os pares e na maneira como estes alunos vêem sua escola.

O sociólogo Adorno (1998) afirma que a falência dos modelos convencionais de controle da violência, e do crime na atualidade, aponta para amplas transformações nas maneiras do sujeito atuar na vida em sociedade. No âmbito das políticas de segurança e das práticas penais, o maior desafio é buscar formas alternativas de contenção da violência. Segundo Cléo Fante (2005), o bullying estimula a delinquência e induz outras formas de violência explícita, produzindo cidadãos estressados, deprimidos, com baixa autoestima e incapacidade de autoaceitação. Assim, este projeto pretende, por meio de uma ação interdisciplinar e participação de toda a comunidade escolar, contribuir para o combate a este fenômeno, suas implicações e consequências trágicas.

Por tudo isso, o aprofundamento sobre o tema e a compreensão sobre suas manifestações é de suma importância tanto por pais, alunos, professores, funcionários administrativos e moradores da região da Escola Municipal Maria da Terra, para a construção de um processo de relações entre os alunos pautados por princípios éticos, tais como autonomia, solidariedade, amizade, respeito, diálogo, disciplina, cooperação e honestidade.

Objetivos:

Enquanto professor de Educação Física da rede municipal de educação da cidade de Goiânia há vários anos, nos deparamos com atos violentos dos alunos durante as aulas, encarando estas ações como simples atos pertencentes à idade. Essa reação é comum entre os profissionais da educação. Ao assumir o cargo de Coordenador de Turno no período matutino e vespertino em uma escola, foi possível observar que os casos de violência eram repetitivos, e os alunos envolvidos eram sempre os mesmos. Percebemos a necessidade de investigar o fenômeno, propondo soluções práticas para coibi-lo.

Foi assim que surgiu a idéia de propor mudanças para esta realidade. O Projeto Terra Sem Bullying é coordenado pelo professor Alexandre Malmann e propõe:

Objetivos Gerais

Favorecer o entendimento do fenômeno bullying por toda a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários administrativos e moradores da região) e reduzir o índice de violência na Escola Municipal Maria da Terra.

Objetivos Específicos
  • Conhecer as formas e locais mais comuns de ocorrência do bullying na Escola Municipal Maria da Terra e divulgar para a comunidade escolar.
  • Favorecer o entendimento do bullying e suas diferentes manifestações bem como suas principais conseqüências.
  • Proporcionar um ambiente escolar seguro e motivante, combatendo o preconceito, a discriminação, a repetência e a evasão.
  • Estimular a participação coletiva, com a interação de alunos, professores, funcionários administrativos e pais de alunos da escola.
  • Identificar, compreender e vivenciar princípios éticos, tais como: respeito, diálogo, disciplina, autonomia, solidariedade, amizade, cooperação, honestidade, etc.
  • Criar um dia (Dia “B” – Dia de combate ao Bullying) para estimular a promoção do projeto Terra Sem Bullying na região onde está a instituição de ensino.
  • Favorecer a participação da comunidade nas decisões para melhoria da escola.

Professor Alexandre Malmann
Graduação em Educação Física (UFG). Mestrando em Sociologia – PPGS/UFG.
Vice-Coordenador do Núcleo de Pesquisas e Estudos Sociologia e Educação (NESE) – UFG.
Idealizador e Coordenador do Projeto Terra Sem Bullying.
Ministra palestras sobre o Bullying em escolas de Goiânia.

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