Projeto Dia das Crianças – por uma cultura de paz

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior índice de mortes por arma de fogo por habitantes. Campanhas de desarmamento e outras para redução da maioridade penal estão cada vez mais em evidência. Já são corriqueiras notícias de homicídios, estupros e presença de armas no ambiente escolar. Tudo isso demonstra que vivemos um momento alarmante de violência. Enquanto profissionais de educação, preocupados com o futuro de nosso país, sabemos da responsabilidade de educar para uma cultura de paz.

Pesquisas sobre o desenvolvimento infantil mostram que durante os sete primeiros anos de vida são decisivos na formação de seus valores. Assim sendo, desde a mais tenra idade é preciso cultivar relações afetivas e solidárias, desenvolvendo seres sensíveis, repletos de valores éticos e morais.

As comemorações e datas festivas podem ser excelentes momentos para divulgar campanhas e inserir as famílias e a comunidade nas causas educacionais e sociais. Assim como, é possível modificar o olhar transformando festas e homenagens em algo que ultrapassa os muros da escola.

Desenvolvendo o projeto:

1ª etapa: Possibilitar momentos de escuta ativa através de rodas de conversa e contação de histórias. Os principais objetivos devem ser:

Levar a criança a:

  • Prestar atenção realmente naquilo que a outra pessoa diz;
  • Não interromper a fala do outro;
  • Fazer perguntas e repetir o que foi dito com suas palavras;
  • Expressar sentimentos relacionados às histórias contadas e as falas dos colegas.

Para realização de atividades deste tipo podem ser escolhidas fábulas, já que sempre possuem uma mensagem moral no final.

Conversas informais, em rodas, onde cada integrante relata um fato importante de sua vida, ajuda no conhecimento de si e do outro; ouvir histórias faz a criança se colocar no lugar dos personagens, refletindo sobre os sentimentos dos mesmos, seus medos e angústias.

Para complementar o trabalho é possível desenvolver oficinas de teatro ou faz de conta, pois estas oportunizam o conhecimento de si e do outro.

2ª etapa: Possibilitar que os alunos reflitam a respeito de situações reais e busquem soluções.

Para isso, pode se usar dramatização e jogo simbólico. As situações devem ser criadas de acordo com os interesses e necessidades de cada grupo. Exemplo:

  • Apresentar um cachorrinho de pelúcia dizendo às crianças que está machucado porque alguém o maltratou: bateu, não ofereceu alimento e água. Questionar ao grupo: O que faremos?

Observar as reações e atitudes instigando a práticas afetivas e dialogando sobre cuidado com animais.

O(a) professor(a) pode criar outras situações diferentes oportunizando que as crianças reflitam e dramatizem soluções.

3ª etapa: Possibilitar que as crianças expressem seus sentimentos.

  • Apresentar várias figuras de fisionomias: tristes, raivosas, alegres, chorando, etc. Pedir que imitem cada expressão – dramatizando. Em seguida, sondar: o que deixa você triste? E feliz? E com medo? E chorando? Por quê?

O tempo da atividade pode variar de acordo com o interesse do grupo e ainda ser ampliado através de desenhos, músicas, teatros, entre outros recursos que venham a enriquecer o trabalho.

Os comportamentos das crianças através das suas brincadeiras, expressões plásticas, corporais e suas diversas linguagens expressivas, oferecem inúmeras pistas sobre o que as crianças estão vivendo neste período de vida.

4ª etapa: Organização do ambiente pacífico.

Aproveitar o tema em pauta e organizar na sala de aula cantinhos de: combinados da turma, recadinhos do coração, jogos e brinquedos para grupos, livros e revistas, materiais de pintura e modelagem para compartilharem, entre outros.

  • “O que eu ouço, eu esqueço; o que eu vejo, eu lembro; o que eu faço, eu entendo”. (Confúcio, pensador e filósofo chinês)
  • * Habituar as crianças para que cuidem com carinho do ambiente: arrumando após as brincadeiras e atividades, utilizando latas de lixo sempre que necessário, compartilhando os objetos com os colegas sem brigas, utilizando palavras cordiais, como: por favor, obrigada, boa tarde, com licença, etc.
  • * Montar jogos coletivos, como lego e quebra-cabeça, ajuda a desenvolver a autoestima, as habilidades sociais, o humor, a cooperação e a vencer obstáculos ou desafio.

5ª etapa: Festa da Paz

Organizar uma festa divertida, mas sem fugir do tema. Durante a comemoração podem ser apresentados teatros abordando assuntos relacionados, assim como músicas e danças, brincadeiras e jogos cooperativos, troca de lembranças no estilo “amigo oculto”, lanche coletivo, desarmamento infantil – troca de brinquedos violentos como armas e espadas por outros, entre outras atividades previamente planejadas pelos educadores.

Uma caminhada ao entorno da escola propondo paz e ações de gentileza e solidariedade pode enriquecer o projeto.


Paty Fonte (Patricia Lopes da Fonte)

Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora dos livros “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar” e “Pedagogia de Projetos – Ano letivo sem mesmice”, ambos publicados pela editora WAK; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante.

Idealizadora e diretora dos sites: www.projetospedagogicosdinamicos.com e www.cursosppd.com.br

Contatos: www.patyfonte.com.br | www.facebook.com/pedagogiadeprojetos/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *