Projeto “Chegada do homem a lua”

Em 20 de julho de 1969, exatamente às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos de Brasília, o astronauta americano Neil Armstrong, 38 anos, entrava para a história como o primeiro homem a pisar na Lua e avistar a Terra de lá.

A princípio o tema parece um pouco longe da realidade das crianças do maternal II, cuja faixa etária é de 3 e 4 anos. Porém, a Profª Cíntia Borher desenvolveu um projeto de sucesso com essa turminha em uma escola particular localizada na zona oeste do Rio de Janeiro.

Nessa faixa etária a criança ainda necessita construir seu conhecimento tendo como base coisas reais e concretas. Como fazer então? A professora começou do simples para evoluir ao complexo e assim tentar fazer com que as crianças compreendessem, de forma lúdica, algumas informações sobre esse tema.

Para desvendar alguns mistérios começou através da observação do céu. Com a vantagem de chegar à escola com o Sol (14h) e sair com a Lua (18h) o grupo pôde acompanhar as tonalidades do céu, ver as estrelas, sentir o calor na pele… e criar algumas hipóteses, levantar alguns conhecimentos prévios, além de falar e escutar algumas observações engraçadíssimas.

Conversaram sobre o tempo, as estações do ano, as diferenças de temperatura, do dia e da noite, dos movimentos da Lua e da Terra. Toda essa conversa se transformou numa viagem pelo espaço a fim de descobrir o universo.

Durante todo o projeto foram realizadas atividades práticas baseadas no conceito das Inteligências Múltiplas de Gardner, objetivando garantir um aprendizado eficaz e significativo.

Foi impressionante o despertar do interesse com as questões levantadas.

Após a observação a professora lançou a pergunta: O que você sabe sobre o dia e a noite? Listando as principais falas dos alunos. Em seguida, solicitou ajuda dos pais e/ou responsáveis que pesquisaram junto com seus filhos e levaram muitas fotos e curiosidades sobre o assunto. Com tantas contribuições foi construído um livro só de curiosidades da lua.

Uma maneira divertida de aprender sobre o dia e a noite é brincar com o claro e o escuro. Para isso uma lanterna foi levada para sala de aula e as brincadeiras surgiram naturalmente.

Os alunos assistiram ao vídeo “De onde vem o dia e a noite”. Foi utilizado o smart board para que pudesse haver interações durante a exibição.

A segunda questão lançada pela professora foi: Você gosta mais do dia ou da noite?

Com as respostas montaram um gráfico das preferências aproveitando assim para trabalhar matemática (contagem, conjunto, quantidade…)

O que você faz à noite? E o que faz durante o dia? A proposta foi pesquisar em jornais e revistas cenas que ilustram suas ações diurnas e noturnas, as quais recortaram e colaram montando um cartaz.

Quanto tempo o tempo tem?

O tempo perguntou pro tempo

Qual é o tempo que o tempo tem.

O tempo respondeu pro tempo

Que não tem tempo

Pra dizer pro tempo

Que tempo do tempo

É o tempo que o tempo tem

(domínio público)

Os alunos descobriram que quando o sol está indo embora é porque está quase na hora de voltarem para casa. E que a saída é sempre às 18h. Será então que o sol tem a ver com as horas do relógio? Os alunos ficaram intrigados com o “tic tac” do relógio. Observaram que o barulhinho era do ponteiro que estava andando. Então, construíram seus próprios relógios.

Foi uma ótima oportunidade de apresentar o quadro de rotina. Conversaram sobre as horas e descobriram que temos hora para tudo. Hora para almoçar, tomar café, jantar, brincar, ouvir histórias, estudar, desenhar, dançar… e cada uma delas deve ser respeitada, pois o relógio não anda para trás e por isso não tem como voltar no tempo.

A conversa sobre o tempo continuou e o grupo foi “atrás” do sol para ver o que estava acontecendo do outro lado no nosso planeta. E descobriram que quando é noite aqui, o sol brilha no Japão! Com a ajuda do globo terrestre e de uma lanterna a professora explicou sobre o movimento do planeta Terra.

Mais questões foram lançadas: E a lua? Será que ela fica esperando o sol sair para ela aparecer? Ela não faz mais nada? Não tem nada mais para fazer na lua? Vamos observar a lua e descobrir um pouquinho a mais sobre ela?

A melhor forma de observar a Lua, estando aqui na Terra, é usando um telescópio. Por isso a turma construiu seus próprios telescópios usando diversos rolinhos de papel.

Quem foi que inventou o telescópio? Mais uma vez, visando a integração escola – família foi solicitada a ajuda dos pais com as pesquisas e o grupo descobriu um nome novo e muito engraçado: Galileu Galilei.

Outra forma criativa de observar o espaço foi através da caixa mágica criada pela professora: uma caixa pintada de preto e toda furadinha que dá a impressão de ter guardado um pedaço do céu e algumas estrelinhas…

Depois de tantas observações e descobertas, finalmente foi marcada uma viagem para lua! Mas com que roupa? Quem tem roupa de passear na lua? Será que qualquer roupa serve para essa viagem?

Os alunos descobriram que temos que vestir uma roupa especial, por isso cada um ganhou seu uniforme de astronauta e coloriu usando giz de cera e muita criatividade. As roupas dos astronautas foram feitas de papel e, em cada uma foi colada foto com o rostinho da criança.

Chegaram a conclusão de que para ir até a lua precisamos também de um transporte adequado. Então cada um fez seu foguete aproveitando os mais variados tipos de sucata.

Um aluno comentou: “Também tem os discos voadores…”

É claro! Como não pensamos nisso? Vamos confeccionar alguns então! Imediatamente a professora aproveitou a idéia para mais um trabalho manual, usando garrafas pets e CDs antigos surgiram belos discos voadores.

E lá foram para uma viagem super especial em direção ao conhecimento. E criaram a Lua exclusiva da turma reutilizando copos descartáveis.

Também deixaram suas pegadas na história! Pisaram na argila e deixaram as marcas dos sapatos, assim como Neil Armstrong. Para ficar ainda mais curioso a cada pegada surgiam gargalhadas com os nomes repetidos:

Diogo Armstrong!

Arthur Armstrong!

Letícia Armstrong!

Mariana Armstrong!

De forma prática e lúdica as crianças aprenderam o fato histórico, estudaram Ciências, desenvolveram linguagem oral, ampliaram a visão de mundo, argumentaram e contra-argumentaram, criaram hipóteses, trocaram informações, pesquisaram, desenvolveram conceitos matemáticos, buscaram soluções para situações-problemas lançadas, expressaram seus sentimentos, desenvolveram a expressão artística, criativa e coordenação motora.

Quem disse que não se estuda na educação infantil? É possível aprender muito brincando!


Cíntia Borher Soares – Educadora, Graduada em Pedagogia, Especialista em Educação Infantil e Desenvolvimento, Pós graduada em Administração e Supervisão Escolar e em Especialização em Mediação Pedagógica em EAD. Realiza atividades de Tutoria nas universidades FGV, UFF, PUC e nos Cursos Online PPD. Palestrante da equipe Projetos Pedagógicos Dinâmicos .

Contato: cintiaborher@gmail.com

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