Maternidade sem culpas: aprendendo com seus filhos

Ser mãe é, em todos os sentidos, a experiência mais fascinante e desafiadora da vida de uma mulher.

Fascinante porque você percebe que acaba de dar a oportunidade de vida a um novo ser, que é parte sua, mas ao mesmo tempo é alguém com características ímpares, que irão revelar-se ao longo da vida, sob sua influência e do meio que o cerca.

Desafiadora porque a todo o momento nos deparamos com situações novas, difíceis de solucionar. Tomar decisões que afetam a vida de outra pessoa, e moldar seu caráter, se apresenta para nós como uma responsabilidade muito maior do que a de cuidar de nossas próprias vidas.

Existe um modelo a seguir? Algo que garanta o “sucesso” no final desta empreitada, ou um percurso menos sinuoso até que nossos filhos alcancem a vida adulta e escolham seus próprios caminhos? Dificilmente.

As variáveis são inúmeras, e temos sempre que reavaliar nossas ações, pois vivemos em uma sociedade em constante transformação, que nos impele a agir mesmo sem chegar a uma conclusão do rumo que estamos tomando.

As recompensas do trabalho árduo de educar uma criança virão para cada uma de nós de maneira inversa às expectativas que criamos. Como assim?

Percebo que quanto mais espero que algo saia do jeito que planejei, mais rapidamente me frustro e sou obrigada a mudar de estratégia ou rever por completo meus conceitos. Não existem seres humanos iguais, então o que serviu para mim não é suficientemente bom para o meu primeiro filho, quanto mais para servir de regra para os três que tenho.

Depois de chegar a esta conclusão, procuro não criar expectativas fantasiosas quanto ao futuro; acredito que o trabalho de educar inicia-se desde o ventre e multiplica-se num raio crescente à medida que os filhos vão se relacionando com a família e com a sociedade. Nosso esforço é doação constante, sem necessariamente ser recompensado do modo como sonhamos. Porém, se estivermos de coração aberto e amarmos estas crianças, todas as demonstrações de retorno positivo serão sentidas como vitórias gloriosas, por menores que possam parecer.

Como eu, você talvez se pergunte todos os dias se está criando bem seus filhos. Gostaria de fazer por eles algo que seus pais não fizeram por você. Teme estar lhes fazendo passar por traumas assim como lhe fizeram passar um dia. Imagina se no futuro agradecerão as muitas horas que você ficou sem dormir, cuidando de suas doenças e consolando-os após seus pesadelos.

Serão gratos pelas horas extras no trabalho com o objetivo de dar-lhes melhores oportunidades de estudo, presentes, alimentação e lazer? E o que dizer da preocupação constante e da angústia a cada doença ou situação adversa com a qual nos deparamos pela primeira vez?
Acredito que é melhor não pensar nestas coisas.

Acredite em si mesma. Faça de verdade tudo o que estiver ao seu alcance para que seus filhos saibam que você os ama. Encontre um ponto de equilíbrio entre o que você gostaria de oferecer e o que pode ofertar.

Aprenda a enxergar pequenos gestos de agradecimento da parte deles, pois provavelmente, serão só estes que você receberá de retorno.

Acima de tudo: reafirme seu amor por eles, em palavras e ações. Mesmo nos momentos de correção e disciplina, dar um abraço mostra sua preocupação verdadeira e ameniza a dor.

Errar ou acertar? Quem pode “atirar a primeira pedra” quando se trata deste assunto?

Vivamos e aprendamos. E nossos filhos viverão conosco, partilhando dos nossos acertos e erros, de nossas conquistas e retomadas, das nossas alegrias e tristezas. Livre-se dos pesos sociais, dos estereótipos criados dentro de suas próprias famílias, das visões pré-concebidas de outros que te aconselham e não sabem nada sobre o dia-a-dia do seu mundo particular.

Aprenda a pedir perdão a seus filhos quando agir injustamente com eles. Lembre-se que seu exemplo vale mais que suas palavras.

Esta me parece ser uma visão libertária do que significa a palavra Mãe.


Karine Dull, professora de História do Ensino Fundamental no Município do Rio de Janeiro, mestre em História do Brasil pela UFRJ, atualmente realizando trabalho de pesquisa de dados sobre a História do Parto no Brasil para posterior tese de Doutorado.

Contatokarinedullsampaio@gmail.com

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