Livros para colorir – porque apenas pintar não é arteterapia

Segundo a União Brasileira de Associações de Arteterapia – UBAAT:

“A arteterapia, que é o uso da arte como base de um processo terapêutico, visa estimular o crescimento interior, abrir novos horizontes e ampliar a consciência do indivíduo sobre si e sobre sua existência. Utiliza a expressão simbólica, de forma espontânea, sem preocupar-se com a estética, através de modalidades expressivas como: pintura; modelagem; colagem; desenho; tecelagem; expressão corporal; sons; músicas; criação de personagens, dentre outras, mas utiliza fundamentalmente as artes plásticas e é isso que a identifica como uma disciplina diferenciada. A arteterapia possui a finalidade de propiciar mudanças psíquicas, assim como a expansão da consciência, a reconciliação de conflitos emocionais, o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. A arteterapia tem também o objetivo de facilitar a resolução de conflitos interiores e o desenvolvimento da personalidade. Por ser bastante transformadora, pode ser praticada por crianças, adolescentes, adultos, idosos, por pessoas com necessidades especiais, enfermas ou saudáveis. Hoje, é exercida em ateliês e instituições com atendimentos individuais ou em grupos. ”

Assim, um livro para colorir não pode ser reconhecido como Arteterapia. Para que a Arteterapia seja vivida, de fato, é necessário um Arteterapeuta que reconhecerá as técnicas expressivas adequadas ao paciente em terapia, bem como o material que naquele momento será mais apropriado para que as imagens do inconsciente se torne obra e, dessa forma, como símbolo projetado, o autor da obra o reconheça e o transforme em arte levando-o a caminhar em busca de si dentro da existência social.

A Arteterapia proporciona a busca da individuação, o reconhecer-se e o aceitar-se e isso um livro de banca de jornal ou livraria jamais proporcionará.

Para Urrutigaray (p 10, 2004):

“Entende-se por individuação a possibilidade de alguém conseguir realizar-se o mais plenamente possível como indivíduo, sem deixar de pertencer e contribuir para com a comunidade social a que pertence, pois, a individuação não consiste em um proceder individualista ou em atitudes de isolamento e distanciamento do ambiente social. ”

Livros para colorir são úteis para um desestressar imediato, para ajudar a vencer um momento difícil, para facilitar a concentração necessária para um momento no “agora”, mas um livro para colorir nunca construirá um sujeito, influenciado por seus medos, suas crenças, suas relações afetivas, sociais ou profissionais. Um livro para colorir não permitirá que o sujeito mergulhe dentro de si, nem o levará à percepção de suas inquietudes e anseios. Um livro para colorir não proporcionará uma mudança interior, um crescimento pessoal e jamais construirá subjetividade em qualquer pessoa que o utilize.

A arteterapia, ao contrário, através das técnicas certas e dos materiais específicos, escolhidos por um profissional capacitado e formado, proporciona esse mergulhar no inconsciente, que facilitará ao sujeito o encontro com si mesmo e, a despeito e apesar, permitir sua convivência saudável na sociedade e com as pessoas com quem se relaciona.

“Muitos autores classificam a arteterapia como sendo o caminho da descoberta pessoal através da arte e baseiam seus estudos e afirmativas nos grandes mestres da psicologia, como Philippini (2002), que afirma existir inúmeras possibilidades de conceituar Arteterapia. Uma delas é considerá-la um processo terapêutico decorrente da utilização de modalidades expressivas diversas, que servem à materialização de símbolos. Uma outra forma de dizer poderá ser simplesmente “terapia através da arte”. Já Pain (1980) afirma que o trabalho de arteterapia se orienta de acordo com várias tendências disponibilizadas pelo Arteterapeuta e de acordo com as necessidades apresentadas pelo paciente. ” (Branco, 2008)

Aí você me pergunta: E seus livros de colorir para crianças? Sim, meus livros…

Eles foram escritos para proporcionar às crianças a oportunidade de criarem suas próprias ilustrações, mas, como algumas crianças são muito críticas, ofereço a elas a chance de pintar uma ilustração, tornando aquele livro único. É o exercício da criatividade, e apenas isso.

Então, todo cuidado é pouco, quando se trata de dar nomes e adjetivos àquilo que não se conhece bem.

Pintar, colorir é muito bom, extremamente relaxante, mas está longe, muito longe de ser Arteterapia.

Volume 1 da coleção Leia e Pinte, de autoria da Sonia Branco.

Se gostar solicite à autora os demais volumes.


Sonia Branco – Especialista em Arteterapia em Educação e Saúde pela Universidade Cândido Mendes – RJ . Fonoaudióloga pela Universidade Estácio de Sá – RJ. Arteterapêuta pelo Curso de Formação de Maria Cristina Urrutigaray – RJ. Contadora de Histórias pela Spaço – RJ.

Site: www.soniabranco.no.comunidades.net| E-mail: sm_branco@yahoo.com.br

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