Literatura que sensibiliza e encanta

A Literatura nas escolas deve despertar o gosto pela leitura e proporcionar fruição, alegria e encanto, o que só acontece quando trabalhada de forma significativa pelo aluno. Além disso, ela pode oportunizar o desenvolvimento da imaginação, dos sentimentos, da emoção, da expressão e do movimento por meio de uma aprendizagem prazerosa.

O professor carioca Eduardo Martins leciona as disciplinas de Literatura, Língua Portuguesa e Produção Textual. Ele já se vestiu de Capitu, Brás Cubas e Vasco da Gama, tudo para inserir o contexto das obras de forma lúdica e envolver ainda mais seus alunos.

O professor Eduardo, que é fã de clássicos como Nietzsche, Dostoievski, Tolstoi e das obras de Machado de Assis, afirma:

“Me apaixonei, antes de tudo, pela grandeza que é a comunicação humana, a mão estendida oferecendo soluções, teorias e dúvidas, o acolhimento e a crítica a ideia do outro. Com o tempo notei esta intrínseca relação de sinonímia entre comunicação e educação. Desde aí comecei a fazer disso minha forma de ver a vida, notando que das páginas dos livros às coisas mais simples do dia a dia, nos educamos e educamos ao outro. ”

O texto literário deve levar em conta as habilidades cognitivas do aluno, oferecendo um produto de qualidade, que possibilite um avanço no seu desenvolvimento biopsicossocial.

A Literatura é importante sob vários aspectos. Quanto ao desenvolvimento cognitivo, ela proporciona aos alunos meios para desenvolver habilidades que agem como facilitadores dos processos de aprendizagem. Estas habilidades podem ser observadas no aumento do vocabulário, nas referências textuais, na interpretação de textos, na ampliação do repertório linguístico, na reflexão, na criticidade e na criatividade.

Estas habilidades propiciariam, no momento de novas leituras, a possibilidade do leitor fazer inferências e novas leituras, agindo, assim, como facilitadores do processo ensino-aprendizagem não só da Língua Portuguesa, mas também das outras áreas do currículo.

Eduardo Martins relatou que apesar de sempre ter amado Literatura, nem sempre foi um bom aluno. Disse ele:

“O problema nunca foi comportamental, mas as aulas as vezes pareciam paradas demais, pouco interessantes. A indústria da educação pode ser cruel: professores, muitas vezes, têm uma realidade desestimulante e as vezes os alunos vivenciam momentos difíceis ou pertencem a uma família que não despertou ainda para a importância de sua participação na formação educacional do jovem. ”

O professor que começou estudando Cinema na Universidade Estácio de Sá, depois transferiu para Letras na UVA nos conta:

“Desde pequeno eu sou louco por leitura. Abria em cada livro um universo novo, tecido pelas palavras, uma tapeçaria rara de histórias que me levavam a entender o mundo por diferentes visões que culminavam sempre em aprendizado. Quando me tornei professor, tive que pensar em como iria lidar com isso tudo. Comecei reconhecendo a injustiça da indústria, do governo, o salário baixo, as poucas opções de ascensão, a desvalorização até mesmo por parte da sociedade. Tudo o que pensei era realidade mas o que eu podia fazer sobre minha parte, minha atuação como professor? No meio do caos da educação brasileira, resolvi que faria das aulas algo de qualidade para mim e para os alunos e estabeleci que esta qualidade seria mais do que o domínio da matéria e resolvi que deveria dar ao aluno uma apresentação diferente deste conteúdo, não queria ver ninguém bocejando em minha sala de aula!”

Assim ele fez. Começou usando como apoio material digital, o que permitiu a otimização do tempo e o estabelecimento de uma base de estudos extra para os alunos. Com o material digital, havia um texto pronto que complementava com perfeição as apostilas e livros tradicionais que, é claro, não eram deixados de lado. Nem mesmo o quadro foi esquecido, em algumas aulas é dele a função de plataforma para questões inéditas ou de revisão, em geral de base textual e discursiva.

Estabeleceu com os alunos, das diferentes turmas, um contrato de confiança. Além dos exercícios do material didático padrão, eles estabelecem os fichamentos e resumos de cada capítulo ou unidade das apostilas ou livros. Essa é a parte deles, que junto ao material digital e a folhas extras, alicerça uma boa plataforma para revisão e para os estudos para avaliação. Mas o que ele daria em troca?

Bom, se o aluno é capaz de ter uma maior independência e frequência nos estudos, uma porta se abre para uma abordagem didática mais atual e diferenciada. A organização de seminários e de aulas com recursos teatrais e cinematográficos pode ser um caminho fácil e com ótimos resultados. Para fazer este tipo de abordagem, no entanto, é preciso ser observador e conhecer bem os alunos, assim podemos valorizar as facilidades de cada um e ajuda-los a superar suas dificuldades.

Quando o aluno percebe que há diferentes formas de aprender, ele solta a imaginação e começa a produzir de formas diferentes também. Vale valorizar esta redescoberta da criatividade. O aluno deve ter a possibilidade de produzir em diferentes projetos e ter sua produção exposta. A exposição da produção discente não só valoriza o esforço do aluno, mas também dá ao trabalho de sala de aula a possibilidade de ascender a um novo nível.


Prof. Eduardo Martins da Silva Ozório – Formado em Língua Portuguesa e Literatura.

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