Liderança Empática: a arte de conectar-se

Como o ato de ser empático pode melhorar sua liderança?

Antes de mais nada, é preciso deixar evidente que a empatia aqui é entendida como a capacidade de compreender emocionalmente uma pessoa ou uma situação pela qual ela esteja passando. É o ato de se colocar ao lado e exercitar o olhar pela perspectiva do outro, com real interesse em compreender o que se passa com ele ou com determinada situação. Ter empatia é se permitir entrar em contato com um mundo que não é o seu, com emoções, sentimentos e sensações diferentes das suas, com reações a situações que você não teria, por caminhos que você, de repente, não andaria, e por pensamentos extraordinários e espantosamente distintos dos seus! Mas, mesmo assim, conseguir criar uma conexão de legítimo interesse e profundo respeito. Ter empatia é querer saber, é querer entender, empenhando-se e esforçando-se para isso.

A partir dessa concepção, seria ingênuo dizer que empatia é tratar o outro como gostaríamos de ser tratados! Se assim fosse, não seria preciso olhar pela perspectiva do outro, não seria preciso entendê-lo em sua profundidade, entender seus motivos e motivações. Bastaria fazer com ele o que gostaríamos que fizessem conosco. Mas não é assim, pois todos são seres singulares, com gostos, histórias e pensamentos diferentes, e exatamente por isso cada um pensa de um jeito! A empatia é justamente descobrir esse jeito, essa chave que abre a porta de cada um. Por isso, é um processo individualizado, personalizado!

E se juntarmos essa perspectiva ao pensamento de George Kohlrieser, de que “a liderança é a arte de se relacionar”, falaremos então de uma liderança diferenciada – falaremos da liderança empática!

A liderança empática requer um olhar revestido de ternura e coragem para entrar no universo que não é o seu. Ternura porque é preciso pisar leve, com delicadeza, em territórios diferentes, talvez lugares nunca antes explorados. É preciso um olhar de ternura, de carinho, de compaixão com os “fantasmas” do outro. A coragem vem impulsionar a ação do líder, faz com que ele não recue frente ao que tantas vezes não é fácil de encarar: os “monstros” do outro. Ilude-se quem acredita já ter visto de tudo, ilude-se quem acredita que o outro é seu espelho ou quase isso. Não é fácil entrar no mundo que não é o seu, e por isso temos o hábito de nos aproximarmos das pessoas parecidas conosco. É mais fácil administrar coisas mais cotidianas ou mais próximas a nós. Assim, é preciso coragem para ver o que será mostrado e ampliar o que o líder vai dando conta de verdadeiramente enxergar. O outro é sempre um mistério, é sempre uma charada a ser desvendada. É nesse movimento que se constituem as verdadeiras relações.

Nessa direção, o líder empático precisa conhecer as pessoas de sua equipe, ter real interesse por elas, saber quais são suas motivações, suas habilidades e potenciais, e estimular isso, obtendo o melhor de cada um. É isso que faz com que sua equipe alcance resultados efetivos e duradouros!

O líder empático aproxima-se cada vez mais de sua equipe quanto mais conhece, na profundidade, cada pessoa. Com isso, mais primazia tem em fazer os melhores encaminhamentos, intervenções, e as melhores perguntas, uma vez que perguntas assertivas fazem com que os colaboradores alcancem melhores resultados através de suas próprias ações e conclusões – afinal, as melhores perguntas terão sempre as melhores respostas!

Mas como praticar a empatia na liderança?

Não há manual de instrução para nada na vida, muito menos para as relações humanas, mas algumas ações têm alcançado resultados significativos no campo da liderança empática. Aqui sugiro algumas delas:

 – Importe-se! Se a pessoa faltou ou não entregou o material pedido, procure o motivo. Você pode não concordar, mas deve mostrar que se interessa por entender o que houve. Importe-se com saber como estão passando as pessoas de sua equipe, o que sentem, como está sua vida, sua família… Mas há de se ter cuidado para não ser invasivo. Dá para querer saber sem ser invasivo. Há um limite e é individual, pessoal. Descubra esse limite e respeite-o. Mas importe-se e mostre isso!

– Tenha real interesse! Nada pior do que ouvir aquela pergunta pronta, seja um “Tudo bem?” ou “Como vai a família?”. Reparem que, para cada pergunta pronta e fria, há uma resposta igualmente pronta e fria, sem abertura, às vezes quase mentirosa, que diz “Tudo bem”. Quando mostramos interesse real, nos conectamos ao outro. Se você estiver, em um dia ou em um momento, sem real vontade de saber, não pergunte, não finja. Só pergunte se estiver realmente interessado na resposta.

– Escute ativamente. Olho no olho, corpo frente a corpo. Esteja por inteiro ali! Seja escuta e presença! É o esforço da atenção focada, sem celular, sem e-mails, sem telefonemas, sem interrupções. Escute também além das palavras. O ser humano é complexo, por vezes complicado, consegue se enrolar facilmente, se boicota, tem vergonha de falar algumas questões. Por isso, atente a tudo que se comunica com você, perceba as informações que nem sempre são ditas. Leia os gestos, o tom de voz, a respiração. Atente aos detalhes. Algo a mais quer falar com você…

– Permita-se! Permita-se passar pela experiência de, como diria Fernando Pessoa, “outrar”. Aproxime-se da outra pessoa sentindo o que ela sente, não necessariamente pela mesma causa. Possivelmente você já teve contato com aquele sentimento em algum momento em sua vida, e assim fica mais possível fazer a conexão. Dê permissão para que diferentes sentimentos, emoções e sensações passem por você para que entenda e se aproxime mais de seu colaborador. Mas…

 – Tenha inteligência emocional para que tudo isso passe por você e não fique. Permitir-se sentir o que o outro sente deve ser uma experiência verdadeira, mas não é prudente que se experiencie toda a situação, entrando no estado – seja caótico ou de êxtase em demasia – vivido pelo outro. Você deve necessariamente ser a parte emocional equilibrada da história.

Essas são algumas sugestões de ação para a busca por uma liderança empática que funcione na prática. Mas sabemos que, no fim, é a mente aberta, o interesse real e o exercício constante que farão a diferença para aqueles que desejam alcançar a excelência na liderança.

Queira, importe-se e exercite tudo isso!

 Lidiane Coelho – Coach e Mentora de Líderes

www.lidianecoelho.com.br/

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