LETRA CURSIVA OU LETRA BASTÃO – que letra usar na Alfabetização?

Será que é mesmo importante, atualmente, ainda se incentivar a escrita com letra cursiva?

Essa questão da letra causa, até hoje, polêmica entre pais, professores e escolas. Muitas crianças de anos mais elevados do Ensino Fundamental não escrevem com uma letra cursiva legível.

Mas quando esse tipo de letra deve ser ensinado às crianças?

Para esclarecer essa questão, precisamos entender que existe um ponto muito importante que não pode ser ignorado no processo de desenvolvimento da criança: A letra cursiva possibilita a continuidade do pensamento através na escrita e trabalha os dois hemisférios cerebrais desenvolvendo a inteligência do aluno.

A letra bastão também é importante, principalmente no processo de leitura. Então, é necessário esclarecer essas diferenças para que, tanto os pais quanto professores, possam promover os estímulos necessários logo no início da escolaridade.

Assista ao programa Trocando Experiências Especial Alfabetização:

COMO ACONTECE A ESCRITA?

A escrita é um processo extremamente elaborado no cérebro e exige muito mais coordenação de várias áreas cognitivas do que a leitura.

Escrevemos o que já lemos. A letra que já decodificamos. A escrita é mais difícil para o cérebro do que a leitura. O processo de escrita formal, aos 6 e 7 anos, tem que estar sendo estimulado desde antes dos 2 anos através de atividades lúdicas como:

Movimento de pinça:

Atividades de encaixe ou colocar bolinhas na boca de uma garrafa, por exemplo, estimulam esse tipo de movimento que começa a se desenvolver na criança a partir dos 9 meses.

Desenvolvimento da mão:

Nos 3 primeiros anos, a criança precisa explorar as mãos. Para isso podem ser utilizadas massinhas ou outros objetos que trabalhem essa habilidade.

Entre os 3 e 4 anos, a criança já consegue fazer linhas horizontais e verticais e seus desenhos passam a adotar contornos mais definidos.

Os pontilhados

O trabalho de cobrir pontilhados deve ser introduzido a partir dos 5 anos de idade com o objetivo de aprimorar os movimentos. A partir dos 6 anos, a letra cursiva pode começar a ser apresentada à criança para exercitar movimentos um pouco mais complexos.

A letra cursiva

Por volta dos 6 a 7 anos, se a criança já tiver domínio dos traçados das letras e boa coordenação motora fina, ela já pode começar a escrever com letra cursiva.

No início da alfabetização deve ser usada a letra bastão, de preferência maiúscula (caixa alta), pois este tipo de letra apresenta maior facilidade por ser mais separada. Na percepção visual da criança, a letra bastão é mais convidativa, mas, depois de estimulada, as crianças tendem a ir, naturalmente, para a letra cursiva, mesmo essa letra exigindo uma coordenação motora mais aprimorada do que a letra bastão.

SINAIS DE ALERTA

Se a criança estiver fazendo algo sem o preparo adequado, ou se ainda não estiver com a musculatura devidamente madura e desenvolvida, ela apresentará uma reação associada, ou seja, enquanto estiver escrevendo, a outra mãozinha, provavelmente se fechará e irá para trás, resultante do aumento anormal de tônus em uma parte do corpo, como resultado de esforço de outra parte. Também poderá apresentar sicinesias faciais como fazer caretas, morder a língua ou os lábios enquanto manuseia o lápis.

Mas então, é indicado ensinar a letra cursiva?

Sim, a letra cursiva é importante por significar uma etapa que faz parte do desenvolvimento da criança. O pensamento torna-se mais fluido, porque essa letra possibilita a continuidade do pensamento através da escrita.

A letra bastão é muito importante para o processo de leitura e deve ser utilizada no início da alfabetização. Se a criança for estimulada nos cinco ou seis primeiros anos de escolaridade nos seus aspectos corporais e percepção visual, ela vai desenvolver os pré-requisitos para trabalhar a letra cursiva.

É importante acompanhar a questão do traçado da letra!

As crianças estão aprendendo cada vez mais cedo a escrever com letra cursiva simplesmente porque as escolas querem parecer mais fortes. Na verdade, ocorre com isso uma disputa de egos que, por falta de esclarecimento acaba por prejudicar as crianças.

Mas o futuro da escrita é não abandonar a letra cursiva, pois se quisermos crianças mais criativas, devemos incentivar a escrita com esse tipo de letra, porém, na hora certa.

Mesmo nesse cenário bem tecnológico, a tecnologia não deve substituir a escrita à mão. A letra cursiva possibilita a continuidade do pensamento através na escrita, e isso precisa ser levado em conta no que se refere ao processo de desenvolvimento da criança, dessa forma, a letra cursiva só deve ser introduzida, gradativamente, a partir do momento que a criança já tenha aprendido os traçados e tiver domínio da leitura.

“A escrita da criança não resulta de simples cópia de um modelo externo, mas é um processo de construção pessoal…” (Emília Ferreiro)


 

Luciana Martins Maia é professora, pedagoga, jornalista, pesquisadora na área de educação, especialista em Alfabetização, Avaliação Educacional, Neurociência aplicada à Educação Inclusiva e MBA em Gestão Estratégica da Educação. Possui mais de 30 anos de experiência em sala de aula, atuando como alfabetizadora e com atendimento a alunos com necessidades especiais na área da leitura e da escrita e formação de professores. É autora do livro: Alfabetização Completa e atualmente é diretora do IDCPro – Instituto de Desenvolvimento e Capacitação Profissional que atua na qualificação de educadores.

 


 

Você quer um segundo episódio do vídeo com dicas para realizar a transição da letra bastão para a cursiva?

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