Jogos Teatrais

Segundo Japiassu (1998), os jogos teatrais são procedimentos lúdicos com regras explícitas, onde o grupo se divide em “times” que se alternam nas funções de jogadores e de público.

Reverbel (2006) divide os jogos teatrais em atividades de relacionamento, espontaneidade, imaginação, observação e percepção. Segundo ela as atividades de relacionamento devem ser as primeiras a serem feitas com um grupo que inicia, incentivando a socialização e promovendo um processo de descontração.

Quando o aluno comporta-se de forma espontânea e natural, sem medo de errar, ele se aceita, favorecendo o desenvolvimento de suas capacidades expressivas, como a fala, a locomoção, o ritmo, a expressão gestual.

Para Reverbel (2006, p.80) a imaginação é: “produto de uma ação do pensamento, que pode ser representado através das linguagens corporal, verbal, gestual, gráfica, musical e plástica.” A imaginação desenvolve-se a partir do conhecimento. Quanto mais a criança vivenciar coisas novas, como passeios, visitas, festas, mais rica será a sua imaginação, porque quando imaginamos, recorremos primeiro à memória.

A criança inicialmente observa, para depois criar. Isso deve ser constantemente estimulado pelo educador, pois elimina suposições sobre situações ainda não vivenciadas, permite fazer comparações e estabelece um rico contato com o mundo exterior, ampliando a visão do mesmo. Quanto mais nova a criança, mais condições o professor deve dar para que ela observe antes de começar o jogo teatral. Dependendo do tipo de observação, o relato do acontecimento muda, possibilitando às crianças fazerem comparações.

A percepção está ligada aos sentidos, dependemos dela para ter uma vida normal. Ainda segundo Reverbel (2006, p.130): “Quando o indivíduo percebe, ele incorpora esse conhecimento, e essa é uma experiência única, pois depende do estágio de desenvolvimento da inteligência em que o indivíduo se encontra e de sua vivência.”

Através de uma cena cotidiana há uma problematização, onde se buscam soluções através de ações, chegando a uma resposta com base na própria vivência, havendo um envolvimento maior e até recriando os seus próprios conceitos. Não existe um modo certo de resolver um problema, grupos diferentes acham soluções diferentes. A tensão do jogo e a concentração nos objetivos, fazem com que o aluno deixe de prestar atenção em si e de se auto-criticar, esquecendo de representar e deixando a espontaneidade fluir. O aluno começa a refletir sobre seu papel na sociedade e a relação existente entre as pessoas. Os jogos teatrais desenvolvem a unidade do grupo, estimula a liberdade de ação e de constantes questionamentos, encoraja a experimentação.

Sugestões de Atividades

Objetivo: Ampliar as possibilidades de expressão.

Atividades:

  • Falar o seu nome cantando.
  • Falar o seu nome cantando e batendo palmas.
  • Caminhar, livremente, e ao ouvir o nome de um animal, imitá-lo. Primeiramente só com movimentos corporais e depois introduzindo o som característico.
  • Caminhar, livremente, e quando a música parar, fazer a estátua do animal falado pelo professor.
  • Imitar o andar de um animal no ritmo de palmas ou batidas de um tambor.
  • Em roda, passar um fantoche e, cada um, deve criar uma voz para ele. Variar os tipos de fantoches (homem, mulher, lobo, idoso).
  • Em roda, passar um objeto e quem estiver com ele nas mãos deve contar uma parte da história.

Objetivo: Desenvolver a atenção e a concentração.

Atividades:

  • Um aluno faz uma pose e o grupo observa e tenta imitar.
  • Um grupo de 5 ou 6 alunos monta uma cena (festa de aniversário, partida de futebol, etc). Pode-se usar ou não objetos. Após a cena pronta, todos ficam imóveis. O restante do grupo observa e tenta descobrir do que se trata. Pode-se fazer este jogo com notícias de jornal.
  • O grupo, sentado ou em pé, acompanha, somente com a cabeça, o movimento de um objeto na mão do professor. Após entenderem o jogo, pode-se dividir em duplas, um fica com o objeto e o outro faz os movimentos, depois troca.

Objetivo: Desenvolver a sensibilização.

Atividades:

O professor passa uma bola de jornal dizendo tratar-se de um pássaro ferido. O “pássaro” irá de mão em mão, cada um deve recebê-lo com cuidado, atentando para o peso da ave, que deve ser imaginado pelo aluno e para sentimentos como pena, carinho, atenção.

Objetivo: Trabalhar a expressão corporal.

Atividades:

  • Agachado, encher o seu corpo como se fosse um balão. Conforme vai enchendo, a criança vai se levantando.
  • Repetir o jogo, estourando ao ficar bem cheio.
  • Caminhar como se fosse um balão cheio. De repente sopra um vento e o balão fica preso na copa de uma árvore (usar paredes e móveis da sala). O balão tenta sair e não consegue. O tempo passa e o balão vai murchando, até esvaziar por completo, caindo no chão.
  • Imaginar balões coloridos caindo do teto. O aluno deve tocá-los com a parte do corpo falada pelo professor.
  • Em dupla, um de frente para o outro, um aluno é a marionete e o outro o manipulador. Ao sinal, o manipulador movimenta fios invisíveis no corpo do colega, que deve agir como uma marionete. Depois de algum tempo, trocam os papéis.

Objetivo: Desenvolver a percepção.

Atividades:

  • Caminhar sobre diferentes tipos de solo (escorregadio, quente, gelado, pedregoso, com poças, com obstáculos, etc).
  • Um grupo caminha pela sala em fila, carregando acima da cabeça um objeto imaginário. O restante do grupo deverá dizer se é um objeto grande ou pequeno, leve ou pesado.
  • Descobrir objetos dentro de um saco somente com o tato. Depois, cada grupo, deve criar um história, cujo tema central seja um dos objetos.
  • Observar quadros e reproduzi-los com o corpo.

Objetivo: Trabalhar o uso da imaginação e da criatividade.

Atividades:

  • Em roda, passar objetos diversos e cada um deve criar uma nova utilidade para eles.
  • Passar uma caixa e cada um deve dizer o que acha que tem nela.
  • Ouvir uma música instrumental enquanto faz um desenho de uma paisagem. Dividir em grupos, escolher um dos desenhos e criar uma cena que se passe naquele local.
  • Ler notícias de jornal, fatos históricos, passagens da Bíblia, mudar o final ou o início e dramatizá-las.

Prof. Alessandra Mourão apresentou a palestra ” Teatro na Educação” no
4º Encontro Nacional de Educadores promovido pelo site Projetos Pedagógicos Dinâmicos.


Alessandra Mourão

Educadora, Graduada em Pedagogia, Pós Graduada em Artes Cênicas, palestrante, atriz, contadora de histórias.

Contatos no blog: http://www.criandartes.blogspot.com/

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