Jogos de Língua Portuguesa

Recebi via e-mail alguns trechos do livro “Cem Aulas Sem Tédio: Sugestões Práticas, Dinâmicas e Divertidas para o Professor de Língua Estrangeira”, de Vanessa Menezes Amorim e Vivian Magalhães. Selecionei três e acrescentei minhas ideias, pois acredito muito no potencial da aprendizagem lúdica.

Desafio os professores do 1º e 2º ciclo do Ensino Fundamental a conferirem as sugestões e também adaptarem-nas a sua realidade, aos interesses e necessidades de suas classes. Garanto que vale a pena! Depois, se desejarem, retorne ao site e comentem a reação dos seus alunos.

A formiguinha

Nem sempre se tem tempo ou recursos para buscar o texto ideal: muitas vezes temos de nos contentar com o material oferecido pelo livro didático que tanto pode ser ótimo quanto medíocre. Mais uma razão para diversificar na técnica, compensando com uma atividade lúdica e instigante aqueles textos sem grandes chances de figurar entre os concorrentes a prêmio Nobel de litera­tura ou jornalismo.

1-  ldealmente esta atividade é para ser feita em duplas, mas em turmas maiores os grupos poderão ter até cinco participantes. Faça tantas cópias do texto quanto for o número de grupos e numere cada cópia de modo que tal numeração possa ser vista de longe.

2- Em aula, enquanto os alunos estiverem envolvidos em alguma ativida­de, saia da sala e cole as cópias do texto em lugares diferentes do corredor, mas aproximadamente à mesma distância da porta da sala.

3- Organize os grupos e dê números a eles. Explique que cada grupo preci­sará de um redator e uma “formiga” (ou mais de uma, no caso de grupos mai­ores). A função da formiga é sair da sala, procurar o texto correspondente ao número do grupo e, em várias idas e vindas, ir reconstruindo o texto na sala de aula com a ajuda do redator. É importante frisar que não é permitido anotar nada; a formiga lerá, de cada vez, apenas a quantidade de texto possível de ser memorizada antes de voltar à sala de aula e repeti-Ia ao grupo para que o reda­tor a anote. Poderá então voltar para continuar o trabalho ou, quando houver mais de uma formiga, estas deverão alternar-se na função de ir “buscar” o texto. e todo o grupo será responsável pela correção ortográfica, semântica e gramati­cal do texto escrito.

4 – Quando o primeiro grupo terminar a tarefa de reproduzir todo o texto ou quando acabar o tempo estipulado para a realização da atividade, os textos de todos os grupos serão recolhidos para contagem dos pontos (que não precisa ser feita na hora). A fórmula número de palavras reconstruídas – número de erros = número de pontos é uma forma justa de se chegar ao resultado final.

5-  Depois da “entrega de prêmios”, tanto os textos originais quanto os reconstituídos deverão ser devolvidos aos grupos. Na tentativa de revisar a contagem dos pontos, eles certamente lerão tudinho na maior atenção!

Para variar a atividade eu sugiro que sejam escondidas as partes do texto e que cada um tenha que encontrar através de dicas, estilo caça ao tesouro. Assim, terão que raciocinar logicamente e solucionar o problema.

Outra atividade interessante que faço nos encontros de formação continuada é quebra cabeça de textos. Cada grupo recebe o seu e o que monta primeiro ganha um ponto. Depois cada grupo lê o texto que montou e todos são interpretados.

Entregar o texto em tiras propondo que cada grupo o ordene também é interessante, pois muitas vezes, alternando a ordem, um mesmo texto passa a ter um contexto completamente diferente.

Queimada Gramatical

A sugestão de atividade a seguir costuma entusiasmar e agradar muito a garotada.

Os professores muitas vezes se acomodam e não buscam atividades mais movimentadas, permanecem no exercício repetitivo de cópia e livro didático. Sugiro que façam uma experiência e ousem dinamizar. Garanto que suas aulas nunca mais serão as mesmas!

O processo ensino-aprendizagem necessita de prazer e entusiasmo.

Como jogar:

Os alunos devem ficar posicionados na quadra como no jogo de queimada tradicional. Cada um trará no peito e nas costas uma ficha de identificação.

verbo – substantivo – adjetivo – artigo – locução adjetiva – numeral

A professora lê uma frase e pergunta qual é a classe de uma das palavras da frase ditada.

Os elementos das duas equipes terão que tentar “queimar” o aluno da equipe adversária que traz a classe da palavra solicitada pregada no peito e nas costas.
A equipe que conseguir queimar primeiro o aluno correto marcará ponto.

Após jogar várias vezes, no retorno para sala de aula, repetir o exercício por escrito e propor que registrem suas opiniões, críticas e avaliações referentes a atividade realizada.

O caderno

Uma coisa é certa: nada contribui mais para motivar um aluno a ir à escola do que uma turma bem integrada, onde vínculos de amizade se fortalecem a cada dia, à medida que os alunos se conhecem mais e se sentem mais familiari­zados e à vontade uns com os outros. Essa é uma atividade que visa a justamente isto: reforçar ainda mais o vínculo entre os alunos, fazendo-os refletir e escrever sobre hábitos, sentimentos, opiniões e… pequenos segredos.

  1.  Compre um caderno de 50 folhas, tipo universitário, de preferência de capa dura e sem espiral. Em cada página (frente e verso), escreva o número de chamada dos seus alunos com intervalo de pelo menos duas linhas. Turmas com mais de 25 alunos precisarão de dois cadernos.
  2.  Na parte superior de cada folha, escreva uma pergunta pessoal que não seja demasiadamente indiscreta. Para uma turma de adolescentes poderia ser “Com o que você geralmente se preocupa quando alguém o beija?” ou “O que é pior do que levar um fora?” Para adultos: “O que lhe estraga o dia?” ou “Descreva o seu trabalho com três adjetivos. “
  3.  Ao final de cada aula, dê o caderno a um aluno, pedindo que ele respon­da as perguntas no espaço destinado ao seu número e que traga o caderno SEM FALTA na aula seguinte, para que possa ser completado por outra pessoa.
  4.  Quando todos tiverem respondido às perguntas, volte a emprestar o caderno, desta vez para que os alunos leiam as respostas dadas pelos demais integrantes da turma. Preferencialmente, aqueles que primeiro responderam o questionário serão os primeiros a ler as interessantes (e às vezes surpreendentes) revelações dos colegas.

Sugestões:

  • Antes de iniciar a preparação do(s) caderno(s), peça aos alunos que escre­vam (pode ser de tema, para entregar) três perguntas do tipo “O que eu sempre quis saber sobre o meu colega ou professor e nunca tive coragem de perguntar” Escolha as melhores perguntas para incluir no questionário.
  • Se quiser dar um tom de sigilo e suspense, dê, a cada aluno, um símbolo (quem trabalha em computador pode achar vários na barra de ferramenras do Word em inserir/símbolo) em vez do seu número de chamada, poderiam ser letras do alfabeto, mas desde que a turma não tenha mais de 23 alunos. Esse símbolo (ou letra) será uma senha pessoal e secreta. Desta forma, mesmo que: uma pessoa possa ler o que os colegas escreveram, não vai saber quem escreveu o quê. A grande revelação só vai ser feita no final quando você, ao devolver o caderno inteiramente preenchido para leitura, incluir um índice com o nome dos alunos e suas “senhas” correspondentes.
  • Reserve um espaço para que você também responda o questionário. Aproveite a ocasião para dizer que a pergunta “Vale Nota!” para esta atividade todo tipo de coisa que pode, definitivamente, estragar o seu dia.

“Pode-se afirmar que o Brincar enquanto promotor da capacidade e potencialidade da criança, deve ocupar um lugar especial na prática pedagógica, tendo como espaço privilegiado, a sala de aula. A brincadeira e o jogo precisam vir à Escola. No contexto escolar, propor brincadeiras como aprendizagem, aproxima-se do trabalho. Evidencia-se que o brincar transformado em instrumento pedagógico na Educação, vai favorecer a formação da criança para cumprir seu papel social, e mais tarde de adulto.” (Angela Cristina Munhoz Maluf)


Paty Fonte (Patricia Lopes da Fonte)

Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora dos livros “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar” e “Pedagogia de Projetos – Ano letivo sem mesmice”, ambos publicados pela editora WAK; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante.

Idealizadora e diretora dos sites: www.projetospedagogicosdinamicos.com e www.cursosppd.com.br

Contatos: www.patyfonte.com.br | www.facebook.com/pedagogiadeprojetos/

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