Grupo Integrado de Dança; uma forma de integração social

O presente projeto foi desenvolvido com alunos da Escola de Ensino Especial Maria Mendes Valente e do Centro Educacional Werner Schmidt da rede particular de ensino, ambas situadas na cidade de Bela Vista do Paraíso – Paraná. Idealizado e desenvolvido para promover a inclusão do aluno, escola especial, escola particular, família, professores e sociedade. Iniciou-se em fevereiro de 1999 e foi concluído no ano de 2000 com uma apresentação no Encontro das APAEs do Estado do Paraná, realizado em Bela Vista do Paraíso, onde a professora de dança Mônica Cunha Correia se incluiu à coreografia, apresentando-se junto com os alunos.

Considerando que a integração é um processo social necessário afim de que haja uma interação entre aos indivíduos para uma convivência harmônica em sociedade, observamos que no próprio contexto da escola, havia uma exclusão de alunos considerados indisciplinados, com higiene precária, famílias desligadas da escola, com baixa auto-estima e alunos que se consideravam incapazes de realizarem qualquer atividade proposta. Esta exclusão partia dos próprios colegas da escola. De acordo com uma sondagem observamos o interesse desses alunos pela expressão artística voltada para a dança.

Para um maior entendimento do projeto é válido conceituarmos: deficiência, normalidade, família, sociedade e escola.

A deficiência é definida como uma restrição ou falta de habilidade para executar uma atividade de maneira, ou de acordo com parâmetros, considerada normais para o ser humano. As deficiências foram vistas como sendo causadas por debilidades, que por sua vez são definidas como perdas ou anomalias de funções psicológicas ou fisiológicas ou de estruturas anatômicas. Tanto as debilidades quanto as deficiências são tidas como atreladas às desvantagens, que são definidas como desvantagens que limitam ou impedem uma função ou atividade considerada normal. Entendendo como normalidade o habitual, regular, exemplar, as pessoas que são padronizadas e que servem de modelo no contexto social.

Família, por sua vez, é a unidade básica de desenvolvimento, experiência, realização e fracasso, saúde e enfermidade. Trata-se de um sistema de relação bastante complexa, dentro do qual se processam interações que possibilitam, ou não, o bom desenvolvimento de cada um dos seus membros. Ë o primeiro grupo a que um sujeito pertence e onde ele tem a oportunidade de aprender através de experiências positivas, como o afeto, estímulo, apoio, respeito, sentir-se útil, e negativas, que são as frustrações, limites, tristezas e perdas; todas elas fatores de grande importância para a formação do sujeito e o crescimento de suas potencialidades. A família é a primeira que integra ao amor, compreensão, confiança, estímulo e comunicação que permeiam a relação que utiliza para facilitar o processo de integração e participação do sujeito nos diferentes grupos sociais da comunidade/sociedade.

Sociedade é o desenvolvimento do sentimento coletivo e do espírito cooperativo, através da religião, raças, costumes, produtividade.

Escola é um espaço educacional que se caracteriza por formar a autonomia do individuo, independente das suas relações sociais; constituindo-se por uma equipe de professores, coordenadores, supervisores, orientadores e diretores. No caso da Educação Especial se constitui por uma equipe mais completa, com profissionais da área da saúde e outros. A escola proporciona a construção do conhecimento ao indivíduo, através de experiências vividas, liberdade de expressão, cultural e integração social e respeitando a sua diversidade.

As relações desses conceitos podem compreender como pessoas com determinadas limitações podem se expressar diante de uma narrativa dos alunos da escola com conceitos e habilidades pré-estabelecidas sobre a dança e consideradas, indivíduos, estes, considerados “normais” (grifo meu). A relação entre os grupos é de extrema importância para a formação e significação de si e pode influenciar o relacionamento entre e os mesmos. As referências servem para a constituição do sujeito autônomo, integrado, social, afetivo, criativo, seguro e independente e só através destes conceitos os integrantes do grupo conseguem construir seu próprio conhecimento para sua independência pessoal e social. Neste contexto, para que o Grupo de Dança obtivesse sucesso foi necessário que a escola, a família e a sociedade entendessem que para a expressão artística não existem limitações ou deficiências, pois a arte dá a liberdade de qualquer tipo de expressão.

A educação da pessoa com deficiência mental não pode estar centrada na deficiência, na sua causa orgânica, nos seus limites, mas na busca de conhecer como é o seu desenvolvimento, quais suas dificuldades bem como as suas possibilidades, procurando a estruturação do desenvolvimento da pessoa com deficiência mental. As possibilidades são condições humanas e estão baseadas nas interações socioculturais e que estabelecerão o seu diferencial, pois é na exploração dessas possibilidades que se determinará sua transformação (BUENO, 2002, p.24).

Incentivamos e encorajamos os alunos para o trabalho corporal, ao processo criativo, o que era a dança, qual seria o ritmo de trabalho que a mesma exigiria as possibilidades de críticas construtivas e destrutivas em relação ao trabalho e confiança que deveriam ter em relação ao seu corpo e a sua mente.

A dança e sua contribuição

A capacidade de se expressar por meio do corpo é intrínseca ao ser humano, é uma característica que se aprimora continuamente, desde as civilizações mais antigas. Nessa medida o movimento se constitui em um dos principais meios de interação entre homem e o mundo a sua volta, desde as ações mais simples até o conjunto de ações simbólicas e complexas que compõem a arte da dança. (LIMA, 2007)

Neste sentido, a prática da dança é uma forma de resgatar o aprendizado da expressão mais antiga das civilizações, através da linguagem corporal, dos movimentos orgânicos, expressivos, instintivos, favorecendo a consciência do corpo, buscando a integração da mente e emoções por meio da manifestação artística.
A sociedade contribui para a formação de pessoas fragmentadas, distante do conceito e participação cultural, social, educativo que não percebem as necessidades educacionais das expressões artísticas. A educação também tem responsabilidades, especialmente, quando precisa orientar sobre as manifestações artísticas do ser humano e como através dela é possível promover a integração.

A arte do desenvolvimento humano, plástico e rítmico, abstrato ou expressivo, realizada individualmente ou coletivamente é chamada dança a qual possui três aspectos: dinâmico, plástico e rítmico, com características próprias e essenciais. E produzida e limitada por seu instrumento: o corpo humano. Seu ritmo é próprio e sua essência é de acompanhamento musical.

Kur Sachs (1967, p.63) em sua História Universal da Dança diz que: A dança é a mãe das artes. A música e a poesia existem no tempo; a pintura e a escultura no espaço. Porém a dança vive conjuntamente no tempo e no espaço. O criador e a criação, o artista e a sua obra, nela são umas coisas única e idêntica. Os desenhos rítmicos do movimento, o sentido plástico do espaço a representação animada de um mundo visto e imaginado, tudo isto é criado pelo homem com seu próprio corpo por meio da dança, antes de utilizar a substância, a pedra e a palavra para destiná-las à manifestação de suas experiências exteriores.

Partindo da questão da identificação para envolver o homem no aprendizado de elementos da linguagem que compõem a dança, muitas vezes selecionamos conteúdos que acreditamos ser importantes para o desenvolvimento do ser humano, mas parte das dificuldades encontra-se na identificação com a dança.

A dança vai muito além de uma seqüência de passos e saltos num determinado ritmo. Ë a arte que liga o corpo à alma, é uma forma de integrar o corpo, movimento, expressão, pensamento e sentimento. E o instrumento facilitador do potencial criativo, da auto-percepção, da comunicação, das transformações do indivíduo e de suas relações com tudo que o envolve.

Para Platão a dança é um dom dos deuses e deve ser consagrada aos deuses que criaram. Não é preciso voltar no tempo para que esses deuses e deusas sejam reinvocados, pois, nas mais remotas organizações sociais, a dança sempre esteve presente, condicionada ao tempo, pelas idéias e aspirações, pelas necessidades e esperanças de uma situação histórica particular.

Crianças, adolescentes e adultos que apresentam necessidades especiais se beneficiam muito com a dança, pois, desenvolvem na expressão corporal, criatividade, socialização, auto-cuidados e principalmente a integração e a interatividade social, conquistando o direito da plena cidadania através da igualdade de oportunidade.

Objetivo de estudo

Além de desenvolver o aprendizado da dança, considerando que a mesma possibilita a aquisição da autonomia, autos cuidados, agilidade, memorização, concentração, habilidades para o trabalho em grupo, socialização, promove o desenvolvimento da coordenação motora e pensando no acesso à cultura para as pessoas com necessidades especiais, o projeto procura estabelecer redes de comunicação, com a sociedade, escolas e familiares, ampliando o repertório cultural, potencialidades criativas e expressivas dos participantes, de forma a:

  • Levar a cultura da dança para a educação especial com a convicção de que o movimento constitui como um dos principais meios de interação entre o homem e o mundo a sua volta, desde as ações mais simples até o conjunto de ações complexas que compõem esta linguagem artística;
  • Oferecer um conjunto de ações artístico-pedagógicos que desenvolva no sujeito uma percepção de caráter coletivo, da linguagem na integração entre as pessoas, e que estabeleça o diálogo para a troca de experiências, possibilitando um aspecto cultural e estético, promovendo também a relação entre a dança, o movimento em si e a educação.

Também, em função das questões disciplinares, frustrações e o fracasso no contexto escolar, o projeto ofereceu caminhos capazes de minimizar tais questões através da dedicação, atenção e disciplina que a dança exige do sujeito e acima de tudo a integração do aluno com necessidades especiais na rede particular de ensino, para que tivessem a certeza que eram e são capazes de dançar, realizando movimentos, acrobacias e coreografias iguais, ou melhor, em relação ao outro grupo. Construímos um diálogo contínuo tornando os parceiros iguais para que enfrentassem juntos os desafios, obstáculos e percebessem que a dança poderia proporcionar ao grupo:

  • Participação ativa da família de forma a incentivar e apoiar seus filhos com a apreciação dos movimentos, coreografias e principalmente do desenvolvimento da aprendizagem.
  • Sensibilização da família sobre a importância de participarem das reuniões pedagógicas, das apresentações do grupo de dança sempre que convidados fora de nossa cidade e os benefícios e possibilidades de vivenciar e estabelecer trocas de experiências para a sua vida.

Oportunizamos o lazer, amizade, eficiência e conceitos como privacidade, afeto, comunicação, responsabilidade e auto-estima, favorecendo a convivência e participação do grupo em diferentes situações sociais, através do desenvolvimento das habilidades e conhecimentos necessários para criar, modelar e estruturar movimentos necessários para execução da dança, usando espontaneamente e variando seus gestos dinâmicos para expressar seus sentimentos e idéias.

Conforme Beachelat (apud OLIVEIRA, 2000, p. 112):“O papel é despertado de seu sono de candura, despertando de seu pesadelo branco.” Buscamos com a arte a expressão, comunicação, percepção e conhecimento numa relação de íntima intenção, visando à realização do ato expressivo livre das rotulações e imposições externas.

Método

Participantes: Foram escolhidos como participantes do projeto oito alunos da Escola de Ensino Especial Maria Mendes Valente e nove alunos do Centro Educacional Werner Schmidt, sendo que contávamos com alunos do sexo feminino e masculino com idades variadas. A escolha dos participantes teve como base na escola particular, alunos que possuíam habilidades, bom comportamento ou que freqüentassem a academia de dança para estimular e aguçar os alunos da escola especial.

Na escola especial os alunos foram escolhidos por meio de conselho de classe de acordo com informações de professores e equipe técnico-pedagógica, além de uma avaliação expressiva da coordenação pedagógica. Nesse contexto foram selecionados alunos com distúrbios de comportamento, Síndrome de Down, alunos com dificuldades de aprendizagem e com paralisa cerebral.

Local: O projeto foi conduzido na Escola de Ensino Especial Maria Mendes Valente, por ter uma sala toda equipada e organizada para a prática da dança, contando com barras, espelho amplo colchonetes, aparelho de som e outros instrumentos necessários para o desenvolvimento do projeto.

Técnica: É “uma maneira de realizar movimentos, organizado segundo as intenções de quem dança”. Ela está presente no processo de criação coreográfica, no processo de aprendizagem é uma maneira de informar o corpo e ao mesmo tempo de criação de movimentos, ritmos e disciplina para chegar-se à coreografia.

A técnica não foi voltada à exercícios de condicionamento físico massacrantes que não levassem em conta a expressividade, ao contrário, trabalhamos de forma depositária no próprio corpo com uma vivência espiritual, mental, afetivo, sensorial, cultural e integração entre aluno e dança. Isso significa que não focamos no aspecto quantitativo, dirigido para alcançar a qualquer custo recorde de capacidade física, mas também sabemos que a disciplina é indispensável para a harmonia coreográfica do grupo como um todo.

A relevância foi trabalhar com uma técnica onde os alunos não bloqueassem a sensibilização, criação, cooperação e a imaginação para o desenvolvimento do projeto e a satisfação pessoal de cada integrante do mesmo. A virtude estava no equilíbrio entre a liberdade do trabalho corporal uma técnica estruturada. Acreditamos que o dançarino profissional de hoje precisa desenvolver, durante a sua formação, um trabalho corporal o mais abrangente possível, para atender a amplitude de possibilidades de arte do movimento, expandindo qualquer limite técnico ou estético. Devemos lembrar que a técnica da dança, é tornar o movimento natural, pois ele não é inato, mas se nós o motivamos e promovemos a sua construção, torna-se a execução fácil e podemos dizer: ”eu não danço eu sou a dança.” (VIANNA, 1980 p.66)

Desenvolvimento

As aulas foram desenvolvidas duas vezes por semana com duração de uma hora. E contaram com a apresentação dos alunos e da professora.
Apresentamos a Escola de Ensino Especial Maria Mendes Valente para os alunos do Centro Educacional Werner Schmidt para que conhecessem os programas da escola e o espaço que iriam utilizar para o desenvolvimento do projeto. Sugestões como:

  • Roda de conversa para uma sondagem das experiências que os alunos traziam do seu ambiente sobre a dança.
  • Palestra com a equipe técnico-pedagógica da Escola Especial para promover a conscientização da importância da escola, da aprendizagem, quebra de barreiras e preconceitos para a família, escolas da cidade.
  • Dinâmica de grupo para quebrar o gelo e promover a integração, descontração e reconhecimento do espaço.
  • Apresentação de vídeos com vários estilos de dança para uma discussão entre os alunos e observar como cada um se identificava com os estilos.
  • Dança Livre – ao som de uma música, dançar livremente criando seu próprio movimento.
  • Elaboração de regras combinadas entre professor e aluno, fazendo-os compreender que através das regras registraram valores. O grupo estava ali para falar com o corpo. As regras foram registradas em cartazes e fixadas na sala de aula. Com isso os alunos lembravam sempre do compromisso e responsabilidade que a dança exigia. Foram apresentadas:
  • Atividades lúdicas envolvendo expressão, movimento, ritmo, cooperação e descontração.
  • Montagem de pequenas coreografias com o musical Arca de Noé onde a professora aproveitou para pequenas interpretações frente ao espelho um início teatral, necessário para a dança.
  • Ações da dança: pular, saltar, girar, rolar e deslocar.
  • Pontos básicos: frente e atrás, direita e esquerda, alto e baixo, próximo e distante, rápido e lento.
  • Trabalho de visualização e imaginação do seu corpo no espaço dançante.
  • Memória: onde aprenderam a memorizar a sua coreografia, a coreografia do colega para harmonizar a dança.
  • Musicalização, onde escolhiam a música que tivesse a caracterização da coreografia.
  • Exercícios de barra para desenvolver a flexibilidade, movimentos harmônicos e atenção.
  • Exercícios no chão para adquirir força física.
  • Visualização do seu corpo em movimento, através do espelho.
  • Filmagem de pequenas coreografias para avaliação do desempenho de cada aluno.
  • Exercícios de respiração, descontração e concentração.

Ao final de cada aula os alunos e a professora analisavam o desenvolvimento das atividades e ao final do bimestre a professora se reunia com a equipe técnica e a coordenadora pedagógica para verificar o desenvolvimento em relação à dança e ao comportamento e aprendizagem dos alunos através do projeto.

Resultados e Discussão

Os dois grupos aprenderam e desenvolveram a linguagem artística, no caso a dança, se concebeu a partir do olhar do outro. A escola comum e escola especial constituíram um grupo de dança com base na integração, amizade e a cooperação. O grupo de alunos do Centro Educacional Werner Schmidt passou a participar de outros projetos, festas e atividades de datas comemorativas da escola especial.

Os convites para apresentações na cidade local e região foram muitos, pois a harmonia, coreografia, esforço, acrobacias e dedicação eram de alto nível. Realizaram abertura em eventos, aprenderam a trabalhar com acrobacias com base em instrumentos, (pano, arco, fita e outros), diferenciando esse grupo de qualquer outro grupo de dança constituído em nossa cidade. A indisciplina, baixa auto-estima, a higiene precária, o conceito de incapacidade, foram superados. As famílias, professores e comunidade passaram a participar das apresentações dos filhos e admirar a capacidade de expressão, ritmo, coordenação, musicalidade, memorização da coreografia e a organização do espaço dançante. A dança foi o ponto indispensável à expressão corporal e a formação pessoal dos alunos para a vida prática em sociedade.
O aprendizado da dança integrou o conhecimento intelectual e a habilidade corporal e criativa do aluno, atingimos o aluno como um todo, desenvolvendo os aspectos emocionais, sociais, corporais, interesse, aprendizagem, comunicação, autonomia e cooperação eficiência, a harmonia, a coreografia, o ritmo e a naturalidade, desenvoltura e a familiaridade com o palco e público, proporcionou a integração social dos dois grupos, alcançando pleno êxito e o (pré) conceito foi desmistificado e superado, passaram a visualizar tudo no mesmo patamar, realizando as atividades de forma natural e superando cada vez mais as dificuldades dos exercícios e as barreiras até então, vistas como insuperáveis, realizando tarefas complexas como exige do todo dançarino.

A professora de dança passou a assumir o papel de orientadora das atividades do projeto, devido à construção do conhecimento da dança pelos alunos, atingindo um grupo coeso. O espaço fora da sala de aula proporcionou uma aprendizagem construtiva, sem limitações à liberdade de qualquer tipo de expressão e linguagem, dando ao grupo a oportunidade de demonstrar as suas potencialidades.

A escola não se limitou somente a giz, quadro, professores, conteúdos curriculares, mas podemos dizer que através da expressão artística foi promovida também uma aprendizagem eficaz, enfim, somente o professor, equipe pedagógica não conseguiriam alcançar a integração e inclusão dos alunos no contexto social. Precisamos deixar os alunos vivenciar, experimentar, arriscar, se expor as dificuldades, para serem vistos e respeitados pela sociedade. O Projeto Grupo Integrado alcançou seu objetivo, pois até os dias de hoje continua sendo desenvolvido na Escola de Ensino Especial Maria Mendes Valente pela mesma professora que completou dez nos de atividade no início de 2009, sofreu alterações necessárias para a realidade, como: conceito de educação, de deficiência, estrutura curricular, novos estilos de dança, de modo geral a concepção de escola, família e sociedade.

Com esse projeto confirmamos que toda e qualquer pessoa é capaz de criar, reinventar, enriquecer os modos de vida, a sensibilidade, contribuindo para que ocorresse a transformação do grupo em relação à vida, conceito de mundo, abstraindo seus próprios valores, sentimentos, necessidades e que erros e acertos fazem parte do ser humano e o mesmo é capaz de evoluir.

O desenvolvimento do projeto proporcionou o desenvolvimento da ginástica rítmica, onde uma aluna se destacou, devido a sua flexibilidade, responsabilidade, agilidade, musicalidade e força muscular. Hoje participa de campeonatos e se tornou campeã brasileira de ginástica rítmica, modalidade fita da Educação Especial. Quatro alunos (três meninas e um menino) fizeram teste e conseguiram bolsa de estudos na Academia de Dança Leila de Assis.

Conclusão

Com base nos resultados deste trabalho, concluímos que quando mostramos a capacidade dos alunos com necessidades educativas especiais à sociedade pode-se estabelecer um conceito igualitário, tornando o grupo homogêneo, objetivo da dança, a sincronia, espontaneidade, desenvoltura e que na relação entre palco e platéia não existe limitações ou dançarinos com necessidades especiais, existe um grupo de dança proporcionando a platéia um espetáculo emocionante, com movimentos de alto nível, um grupo coeso, uniformizado, técnico, leve e transmitindo toda a emoção que um artista precisa transmitir e com isso a comunidade passa a respeitar e a divulgar, por meio do jornal local, na igreja, Rotary, órgãos públicos, Escolas de Ensino Especial da região. Construímos um ambiente que permitiu o desenvolvimento de apoio, estímulo, independência, de referências seguras e conscientes das potencialidades, da auto-estima, das relações de troca e confiança.

O sujeito se diferencia através do plano cultural, religioso, ideológico, porque cada um tem sua própria formação, tendências, desejos, alegrias, o que proporcionou ao Grupo Integrado a felicidade de pertencer a um grupo social definido e formado de interações, influenciando seu meio, sua educação e as experiências vividas. Submeteram fortemente à influência da família, professores, escola e o meio social. Independente ou dependente da educação ao longo da vida, apesar de restrições encontradas, continuarão sendo pessoas livres em suas escolhas, portanto dono de parte de sua vida, do seu destino de forma coesa e responsável.

Através da potencialidade familiar, social e escolar, o grupo pode formar julgamentos, tomada de posições e a elaboração de diferenciar conceitos novos e antigos. A elaboração de conceitos e ideais foi definida por idéias sociais e cooperativas onde o grupo conseguiu se constituir.

A diversidade de opiniões, de ponto de vista, de crenças de cada membro de uma coletividade é, em si, portadora de esperança e riqueza e por isso é preciso cultivar e incentivar. Quem exige um direito para si, deve compartilhar com os demais. De posse desse direito, exigido e ou talvez concedido, deve assumir sem vergonha as suas diferenças de nascimento, cor, língua, religião e limitações intelectuais. Precisamos nos empenhar mais para a inclusão, pois, a mesma é muito ampla não sendo voltada só para o deficiente, mas sim todos os excluídos, por crenças, ideologia, dependência química, os considerados doentes mentais e outros.

Citando Falkenbach (2000): “todos os indivíduos têm algo a ensinar. Todos nós, indivíduos ou grupos, temos certo conhecimento. O saber não é coisa dos estudantes, não está só nos livros. O próprio enfrentamento com os problemas da vida nos dá conhecimento, nos transmite saber. Este é um conhecimento prático, de sentido comum e que vai se construindo à medida que há o enfrentamento da realidade que a vida exige”.

Referências Bibliográficas

  • BUENO, JOSE G. S. Educação Especial nas Universidades Brasileiras. Brasília, Ministério da Educação, 2002, p.24)
  • Cadernos de Textos: Educação, arte e Inclusão. Disponível em:<www.google.com.br.>. Rio de Janeiro: FUNART.
  • FALKENBACH, ATOS PRINZ. Família e Profissionais Rumo à Parceria. Um Manual para profissionais. Federação Nacional das APAEs, São Paulo: Valci, 2000.
  • FRITZEN, S..  Exercícios práticas de Dinâmica de Grupo. Petrópolis:  Vozes,1995.
  • LABAN, R. Domínio do Movimento. São Paulo: Summus, 1978.
  • LIMA, CÍCERA A. a Influência das Atividades Rítmicas no Desenvolvimento Psicomotor. Monografia de Educação Física. Presidente Prudente: UNESP, 2007
  • MARQUEZINE, M. C.; ALMEIDA, M.A., OSHIRO, E. D.. Perspectivas Multidisciplinares em Educação Especial. Londrina: Atualidade Acadêmica, Editora da Universidade Estadual de Londrina, 2001.
  • KUR SACHS. História Universal da Dança. Enciclopédia Barsa. São Paulo: 1967.
  • OLIVEIRA, Neimar Proença. Arte, o que é, como é, quando ocorre? Publicado em: Educação Especial para ser e compreender.39 º Encontro das APAEs do Paraná. Bela Vista do Paraíso, 2000.
  • SEVERINO,ANTÔNIO J. A escola e a construção da cidadania e da sociedade civil e educação. Campinas: Papirus,1992.
  • VIANNA, KLAUSS. A Dança. São Paulo: Siciliano,1991.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *