Filosofia e Arte

A proposta visa ampliar a linguagem artística através da investigação de sua própria personalidade.

Público Alvo: Alunos do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Problematização: Como conseguir que alunos do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental consigam expressar suas ideias de maneira clara e objetiva tendo como base a leitura de seus próprios desenhos?

Objetivos:
  • Ampliar o contato de cada aluno com o imaginário próprio, perguntando a si mesmo: “O que faz você ser você?”, trazendo à tona suas imagens internas;
  • Levar o aluno a se comunicar através da Arte, adequando-se ao material que será utilizado, expressando-se de maneira singular;
  • Promover que o aluno reflita e pergunte a si próprio como ele é, representando-se através de imagens, símbolos e gestos.
Justificativa:

O trabalho artístico possibilita ampliar não só as formas de expressão, como também o universo criativo e o imaginário. A ideia de trabalhar com o imaginário combina com a necessidade real de deixar fluir e explorar ideias e imagens internas.

Um problema muito comum no ser humano, como cita Edgar Morin, é “que cada mente é dotada também de potencial de mentira para si próprio (self-deception), que é fonte permanente de erros e de ilusões. O homem mente para si próprio nos seguintes casos: egocentrismo, necessidade de autojustificativa, tendência a projetar sobre o outro a causa do mal”.

Morin também acredita ser importante as grandes interrogações sobre nossas possibilidades de conhecer, e pôr em prática essas interrogações constitui o oxigênio de qualquer proposta de conhecimento. Na busca da verdade, as atividades auto observadoras devem ser inseparáveis das atividades observadoras, as autocríticas, inseparáveis das críticas, os processos reflexivos, inseparáveis dos processos de objetivação.

A conclusão do aluno é muito importante no processo de aprendizagem. Segundo Luigi Pareyson, a filosofia tem precisamente a tarefa de chegar a conclusões teóricas universais, extraindo os seus dados da experiência, dando forma à ideia, na qual provavelmente a linguagem artística através da qual seu pensamento/sentimento será manifestado. Portanto, é fundamental ensinar o educando a filosofar sobre o seu próprio trabalho. Será no próprio fazer, interrogando e interpretando cores, gestos e movimentos, que ele descobrirá as possibilidades da forma para expressar aquilo que deseja mostrar.

Metodologia:

Concordamos com a autora Ana Mãe, que em seu livro Inquietações e mudanças no ensino de arte, afirma que: “Não mais se pretende desenvolver apenas uma vaga sensibilidade nos alunos por meio de Arte, mas também se aspira influir positivamente no desenvolvimento cultural dos estudantes pelo ensino/aprendizagem da Arte. Não podemos entender a Cultura de um país sem conhecer sua Arte. A Arte como uma linguagem aguçadora dos sentidos transmite significados que não podem ser transmitidos por intermédio de nenhum outro tipo de linguagem, tais como a discursiva e a científica. Dentre as artes visuais, tendo a imagem como matéria prima, tornam possível a visualização de quem somos, onde estamos e como sentimos.”

O professor neste projeto deverá ter como orientação os seguintes procedimentos, nunca se esquecendo de sua intuição e seu bom senso:

  • Alunos em círculo, sem sapatos.
  • Música de fundo. Sugestão: Enya, sons da natureza, música clássica.
  • Alunos de olhos fechados.
  • Professor pede para percorrerem um caminho bem bonito (mentalmente).
  • Professor faz perguntas: Quem é você?  Como você está? Você é feliz? O que você gosta de fazer? O que você não gosta nas pessoas?
  •  O professor pede para os alunos abrirem os olhos e continuem sem falar com ninguém, orienta que eles peguem o papel e o material de pintura e deixem fluir suas ideias, deixem que as mãos deslizem sobre o papel.
  • Depois dos desenhos prontos incentiva os alunos a falarem sobre o seu trabalho e depois comentem sobre o trabalho dos outros.
  • O professor deverá mediar a conversa para que todos tenham um entendimento claro e objetivo. A interpretação é pessoal, mesmo que um desenho pareça triste, o professor deverá falar de maneira positiva, elogiando traços, ideias, cores, formas, o desenho em si, e não a sua subjetividade.
  • Levantar a discussão: O que é belo? O que é feio? Qual é a necessidade da arte na vida das pessoas? O que é ser uma pessoa criativa? Qual a nossa forma de pensar o mundo?
  • Para finalizar o professor deverá questionar: O que faz você ser você?
Avaliação:

 Será avaliado todo o processo, pois o produto final é um reflexo, se o aluno conseguiu concentrar-se e mergulhar na proposta do trabalho.

  •  O aluno teve capacidade de concentração durante a música?
  •  O aluno respeitou a opinião do amigo durante a avaliação coletiva?
  • Conseguiu expor suas ideias de maneira clara e objetiva?
Conclusão:

“A arte capacita um homem ou a mulher a não ser um estranho em seu meio ambiente nem estrangeiro no seu próprio país. Ela supera o estado de despersonalização, inserindo o indivíduo no lugar ao qual pertence, reforçando e ampliando seus lugares no mundo”. (Ana Mãe Barbosa)

Concluímos que o educador tem um desafio pela frente: resgatar os valores e a identidade dos educandos. Atualmente temos um ensino onde predomina a fala massiva e massificante, um número excessivo de alunos por sala, alunos que visam a obtenção do diploma mais do que o aprender, e que de maneira geral fazem o mínimo para aprovação, esperam ser conduzidos passivamente e não exploram todas as possibilidades que existem dentro e fora da instituição escolar e de si mesmos.

 Portanto, nosso desafio como professores é caminhar para uma educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano. Para isso, precisamos de pessoas que façam integrações de si mesmas no que concerne aos aspectos sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico, que transitem de forma fácil entre o pessoal e o social, que expressem através de palavras e ações que estão sempre evoluindo, mudando e avançando.

 A arte é uma linguagem especial. Podendo ser utilizada para que o ser humano possa mergulhar dentro de si mesmo, trazendo à tona emoções do próprio ser. Por isso, quando um homem quer falar ao coração dos outros homens ele o faz pela linguagem da arte. Quando isso acontece, naquele homem sente e age o ARTISTA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *