Atividades Montessorianas

” Quanto mais ativo é o mestre, mais passiva é a criança.
Quanto mais passivo é o mestre, mais ativa é a criança.”

É a característica da escola montessoriana criar um ambiente propício para as crianças, levando considerando inclusive a decoração dos espaços e os materiais adequados ao desenvolvimento infantil. “É fundamental educar os sentidos, depois o intelecto”, acreditava Maria, que defendia a tese de que os pequenos deviam ter a liberdade de escolher o que desejavam trabalhar.

O método pesquisado e desenvolvido por Montessori, é especialmente para as crianças e têm como objetivo principal a Educação sensorial dos sentidos, como o tato, olfato, paladar, audição e linguagem e equilíbrio corporal.

Desenvolvida a partir de atividades diferenciadas, o método também têm como objetivo criar condições de apropriação de valores como: autonomia, normalização e construção de conhecimento.

Autonomia está relacionada com ser independente, ou seja, fazer as atividades de vida diária sozinho. Normalização trás o sentido de aprender a cumprir com as regras sociais, valor fundamental para o convívio sadio com grupos sociais e carregando com ela a importância de aprender a ter conseqüências com a escolha de alguma coisa. Construção de conhecimento, atualmente a pedagogia moderna trabalha com a noção de construção de conhecimento, como o aluno sendo protagonista desta construção, e o professor o mediador das construções. Como conseqüência desta construção o aluno aprende aquilo quer lhe carrega sentido.

As atividades montessorianas criam inúmeras condições para o desenvolvimento destes valores.

Aula de linha

Atividade que têm como objetivo específico a apresentação de noções e a construção de conhecimento mediada pela professora. Na Aula de Linha as crianças aprendem sobre animais, frutas, verduras, legumes, números, letras, moradias, atualidades, análise de quadros artistícos, artistas, pintores, escritores, gêneros musicais, instrumentos musicais , enfim toadas as noções importantes para a faixa etária que eles se encontram.

Qualquer assunto que será apresentado no dia têm ao centro da Linha algo que o represente. As crianças nesta faixa etária estão em construção do raciocínio abstrato e compreendem algo a partir do concreto, não adianta falar sobre cavalo se ela não possui um conhecimento prévio sobre o mesmo, por exemplo.

A Aula de linha é composta por cinco fases :

1a fase – Atenção: Observação dos alunos ao que está no centro da roda e questionamento da professora sobre os conhecimentos prévios de cada um.

2a fase – Andamento: Andar em círculo em cima da linha, com diversos movimentos do corpo, como: andar com as mãos na cabeça, andar na ponta dos pés, andar com um copo d´água na mão, etc. O objetivo é desenvolver a consciência corporal e temporal dos movimentos.

3a fase – Desconcentração: Consiste na escolha das músicas pelos alunos, cada aluno escolhe a música favorita para o grupo cantar. Esta fase têm diversos objetivos e desenvolve muitas habilidades como : linguagem , ampliação de repertórios de palavras, atenção , concentração, memória, autonomia e respeito, pois, os alunos aprendem a respeitar as vontades dos outros.

4a fase – Diálogo (conversa plural): Construção de conhecimento simbólico para as crianças, pois, a professora vai associar o conhecimento prévio com outras informações sobre o assunto, construindo novos sentidos para o mesmo assunto e aprendendo a relacioná-lo com a vida cotidiana.

5a fase – Desabrochamento Feliz: Esta fase trabalha com as brincadeiras e têm como objetivo desenvolver a criatividade e a imaginação. Geralmente são contadas histórias para as crianças imaginarem as cenas e os personagens.

6a fase – Lição do silêncio: As crianças devem aprender a ficar em silêncio para interiorizarem o que foi construído e aprendido, no silêncio escutam músicas de relaxamento, o assobio dos passarinhos e o barulho das outras crianças no pátio.

Trabalho Pessoal

O ambiente para o desenvolvimento desta atividade necessita ser livre e organizado, para que as crianças possam aprender a organização, disciplina e autonomia. Consiste em ser um trabalho socializante.

Os materiais utilizados para a atividade são tapetes de curvim e materiais pedagógicos e montessorianos. Na sala deve conter tapetes individuais e quando as crianças estiverem trabalhando não deve sobrar nenhum tapete na prateleira , com relação aos brinquedos a mesma coisa, porém o montessoriano deve ter apenas um de cada vez na prateleira.

As crianças têm a livre escolha de optar pelo material que quer utilizar e somente irá manusea-lo em cima do seu tapete , conhecido como “ casinha”, e requer cuidados como limpeza e conservação.

Quando há uma escolha por algo que meu amigo está trabalhando, preciso esperar ele guardar o material na prateleira para pega-lo.

Ao término de cada material o aluno deve aprender guarda-lo e coloca-lo na prateleira.

OBS: A livre escolha das atividades pela criança é um aspecto fundamental para que exista a concentração e para que a atividade seja formadora e imaginativa.

Essa escolha se realiza com ordem disciplina e com um relativo silêncio.

Vida Prática

Acontece em todos os ambientes da escola, campo, parque , sala de informática, casinha de boneca, no lanche, no banheiro, enfim em todos os momentos do cotidiano escolar, porém, uma atividade sempre é escolhida pela professora para ser realizada e estudada a sua importância.

A professora escolhe a vida prática a partir da necessidade da classe.

A vida prática têm como objetivo cuidados pessoais, cuidados com as plantinhas e boas maneiras. Criando condições dos alunos desenvolverem autonomia para as atividades de vida diária.

OBS: O silêncio também desempenha papel preponderante.

A criança fala quando o trabalho assim o exige, a professora não precisa falar alto.

Materiais Montessorianos

Os materiais montessorianos, específicos do método, foram desenvolvidos a partir das necessidades de trabalhar com os órgãos de sentidos das crianças. Pressupõem a compreensão das coisas a partir delas mesmas, tendo como função a estimular e desenvolver na criança, um impulso interior que se manifesta no trabalho espontâneo do intelecto.

Montessori produziu uma série de cinco grupos de materiais didáticos:

  • Exercícios Para a Vida Cotidiana
  • Material Sensorial
  • Material de Linguagem
  • Material de Matemática
  • Material de Ciências

Todos os materiais tem maneiras corretas de utilizá-los que são aprendidas nas “aulas de linha”.
São divididos por série, sendo que o nível de dificuldade de compreendê-lo vai aumentando conforme a série. Estes materiais se constituem de peças sólidas de diversos tamanhos e formas: caixas para abrir, fechar e encaixar; botões para abotoar; série de cores, de tamanhos, de formas e espessuras diferentes. Coleções de superfícies de diferentes texturas e campainhas com diferentes sons.

O Material Dourado é um dos materiais criado por Maria Montessori. Este material baseia-se nas regras do sistema de numeração, inclusive para o trabalho com múltiplos, sendo confeccionado em madeira, é composto por: cubos, placas, barras e cubinhos. O cubo é formado por dez placas, a placa por dez barras e a barra por dez cubinhos. Este material é de grande importância na numeração, e facilita a aprendizagem dos algoritmos da adição,da subtração, da multiplicação e da divisão.
O Material Dourado desperta no aluno a concentração, o interesse, além de desenvolver sua inteligência e imaginação criadora, pois a criança, está sempre predisposta ao jogo. Além disso, permite o estabelecimento de relações de graduação e de proporções, e finalmente, ajuda a contar e a calcular.
O aluno usa (individualmente) os materiais a medida de sua necessidade e por ser autocorretivo faz sua auto-avaliação. Os professores são auxiliares de aprendizagem e o sistema peca pelo individualismo. Embora, hoje sua utilização é feita em grupo.

No trabalho com esses materiais a concentração é um fator importante. As tarefas são precedidas por uma intensa preparação, e, quando terminam, a criança se solta, feliz com sua concentração, comunicando-se então com seus semelhantes, num processo de socialização.

Considerações sobre o método

  • Quem entra numa sala de aula de uma escola montessoriana encontra crianças espalhadas, sozinhas ou em pequenos grupos, concentradas nos exercícios. Os professores estão misturados a elas, observando ou ajudando. Não existe hora do recreio, porque não se faz a diferença entre o lazer e a atividade didática. Nessas escolas as aulas não se sustentam num único livro didático. Os estudantes aprendem a pesquisar em bibliotecas (e, hoje, na internet) para preparar apresentações aos colegas.
  • Pés e mãos tem grande destaque nos exercícios sensoriais (não se restringem apenas aos sentidos), fornecendo oportunidade às crianças de manipular os objetos, sendo que a coordenação se desenvolve com o movimento.
  • Em relação à leitura e escrita, na escola montessoriana, as crianças conhecem as letras e são introduzidas na análise das palavras e letras; estando a mão treinada e reconhecendo as letras, a criança pode escrever palavras e orações inteiras.
  • Em relação à matemática os materiais permitem o reconhecimento das formas básicas, permitem o estabelecimento de graduações e proporções, comparações, induzem a contar e calcular.
  • Ambiente físico montessoriano se caracteriza por ser proporcional ao tamanho da criança, limitado para evitar estímulos em excesso; simples e modificável, para favorecer o ajuste aos interesses do momento, ordenado, atraente, calmo, bem arejado e espaçoso. Deve então, o ambiente da escola, fornecer situações cheias de vida e estímulos necessários a uma grande atividade mental.
  • As crianças de uma escola elementar montessoriana são agrupadas da seguinte maneira: dos três aos seis anos, dos nove aos doze anos, ocupando cada grupo salões determinados, mas não rigidamente separados. Na escola montessoriana, a aula das crianças dos três aos seis anos é pouco separada das crianças de sete a nove anos, fazendo com que os pequenos tirem sugestões das classes sucessiva para a organização do seu estudo, assim como os mais velhos também aprendem com os mais novos. Por isso, a organização das salas de aula é dividida por meias paredes, facilitando o acesso de um grupo para outro; assim todos participam e se ajudam mutualmente.

Professor Montessoriano

Para Montessori, o trabalho do professor é o de um Guia. Ele guia ensinando o manuseio do material, utilizando palavras exatas, orientando cada trabalho; guia ao impedir qualquer desperdício de energia ou, eventualmente, restabelecendo o equilíbrio.

Seu dever principal na prática, é o de explicar o uso do material. Os objetos, e não o ensinamento da professora; sendo a criança que os usa, ela é a entidade ativa, e não a mestra.

O educador montessoriano tem como funções:

  • Preparar o ambiente e o material;
  • Levar a criança a se auto- corrigir;
  • Levar a criança a se auto- disciplinar;
  • Levar a criança a respeitar o trabalho dos colegas;
  • Servir de intermediário entre o material e a criança;
  • Ensinar o manuseio do material e o método de trabalho;
  • Ser um elo de união entre o meio e a criança.

Para que isso ocorra o educador deve:

  • “Diminuir” para que a criança possa crescer;
  • Deixar a criança ser o centro do processo educativo;
  • Ser alguém que influencia e não impõe;
  • Ser firme e seguro na colocação de limites;
  • Evitar ajudas inúteis naquilo que a criança mesma tem capacidade de fazer; •Ser silencioso, tranquilo, falando pouco e em agradável voz baixa; •Moderado nos gestos, avesso à pressa;
  • Exato na apresentação do material, concentrado naquilo que está fazendo;
  • Evitar prêmios e castigos.

Para iniciar e induzir os aprendizes às atividades, o professor deve constituir-se um modelo e apenas sugerir. Seu papel nesse processo é apenas de um “indicador”. Ele só consegue o progresso dos alunos quando indica, orienta e põe à disposição da criança uma graduação de exercícios.

A técnica a ser observada é a seguinte:

  • isolar o objeto (deixando sobre a mesa da criança unicamente o material que vai apresentar);
  • apresentá-lo com absoluta exatidão (indicando como ele deve ser manipulado, realizando, ele mesmo, uma ou duas vezes, o exercício);
  • prevenir o uso incorreto (controlando qualquer displicência, ditada pela má vontade, face às instruções);
  • respeitar a atividade útil (concedendo à criança o direito de repetir o mesmo exercício pelo tempo que quiser, sem ser interrompido em suas atividades).
  • providenciar para que o trabalho seja concluído (habituando o aprendiz a, terminando o exercício, devolver o material ao lugar que lhe compete).

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