Atividades ambientais que fazem a diferença no ambiente escolar

Sabemos da importância da educação ambiental, todavia, muitas vezes, dentro das próprias escolas não há uma prática efetiva. Falta vivência, o hábito e a rotina – o que faz toda diferença. Por isso, reunimos algumas dicas para ajudar os professores a desenvolver um projeto contínuo e eficaz.

1- Organização da escola

O ambiente deve proporcionar a prática ambiental. Para tal, a escola precisa ser organizada de maneira correta, com latas específicas para a separação do lixo, com cartazes e placas indicando ações como: “Não jogue lixo no chão”, “Poupe água”, etc.

Somente na prática o aluno poderá perceber que é integrante, dependente e agente transformador do meio humano, contribuindo para melhorá-lo, além de sentir a importância individual e coletiva na preservação do meio ambiente, como meio de vida e saúde.

2- Vivenciar o meio

Atualmente, grande parte das crianças não tem contato direto com a natureza. Vivendo em grandes metrópoles, presas em apartamentos, não brincam na terra, não sobem em árvores, já nasceram na era da poluição e acabam por achá-la natural. Não preservamos o que não conhecemos tão pouco o que não gostamos. Logo, há essa necessidade, a de aproximarmos as crianças da natureza. Levá-las a pisar na grama, respirar ar puro em grandes parques arborizados, observar a formação das nuvens, a formação do orvalho, a gota d’água congelada pelo frio… Nas escolas são poucas as atividades como as “saídas de campo”, excursões em locais onde exista a diversidade de plantas, buscar em meio a elas os tipos comestíveis, as medicinais, aquelas que servem para fornecer madeiras e todas as outras razões que servem para se utilizar as plantas. Colecionar os diversos tipos de folhas, estudar suas diferenças, ensinar a desidratar as folhas e flores e com elas formar pequenos quadros.

Assim, a criança pode aprender a ter uma mentalidade científica, com curiosidade, fantasia, observação, compreendendo melhor o mundo à sua volta.

3- Criação de espaços ambientais

Unindo o lúdico ao ambiental as crianças aprendem a respeitar a natureza e preservá-la para gerações futuras. Espaços como a “sucatoteca” aliada a um ateliê infantil, certamente, farão a diferença. Nesses espaços pode-se transformar lixo em brinquedos e em grandes obras de arte. Além de aprender brincando, exposições bimestrais bem organizadas, farão as crianças sentirem-se valorizadas, aumentando a auto-estima e reforçando a importância da reciclagem.

4- Não cair em contradição

De nada adianta o discurso ambiental se não há uma preocupação real. Por isso, cabe alertar que em pequenas condutas é possível verificar até que ponto a escola está engajada ecologicamente. Um desperdício de papel pode ser um péssimo exemplo. Em contrapartida, reciclar mensalmente toda a sobra de papel e utilizar o papel reciclado em circulares, convites e mensagens que são enviadas aos responsáveis, fará a diferença na comunidade escolar.


5- Integração com a família

Conscientizar a família é tão importante quanto conscientizar os alunos. Se a família participa e inclui em seus hábitos atitudes ecológicas corretas, ponto positivo para a escola! Por isso, realizar exposições com as obras de arte das crianças; criar gincanas ambientais; convidar os pais para o dia da reciclagem do papel; abrir a “sucatoteca” para que pais e filhos juntos criem brinquedos; auxiliar recebendo lixo caseiro das famílias; nas homenagens aos pais oferecer lembranças recicladas; organizar palestras e festas ecológicas; entre outras atitudes, demonstrará o comprometimento real da escola com a educação ambiental.

Uma idéia que costuma ser eficaz e agrada é a organização periódica de um “Bazar de Trocas”, onde pais, alunos, professores e pessoas da comunidade se juntam para trocar objetos que não mais precisam ou não querem por outros que possam lhes ser mais úteis. Pode-se, também, pensar na Semana do Sebo, onde os alunos e professores trocariam livros usados, unindo o projeto ecológico com incentivo à leitura.

6- Refletir sobre o conteúdo

Muitas vezes os conteúdos dos livros didáticos e a maneira enraizada de transmiti-lo não contribuem para uma educação ecológica/ambiental efetiva. Tomemos como exemplo: Ensinar que as partes das plantas são raiz, caule, folhas, flores e frutos. Esquecemos que grande diversidade de vegetais na natureza não são compostos por essas partes. Os musgos, vegetais muito simples, não contêm caules e folhas. As samambaias, plantas conhecidas pelas crianças, não possuem flores e frutos, apresentando um ciclo reprodutivo mais parecido com o das árvores frutíferas. Este tipo de ensino transmite uma ideia errada para as crianças que, muitas vezes, não conseguem ver nas plantas que as cercam exemplos que ilustrem o que está sendo ensinado em sala de aula.

Os alunos precisam e devem aprender que nem sempre, é possível encontrar uma árvore na qual se veja as cinco partes da planta ao mesmo tempo. Algumas árvores perdem as folhas em algumas épocas do ano, ora são os frutos que se desenvolvem depois que as flores caem. A raiz, o caule e as folhas podem existir ao mesmo tempo na planta. As flores e frutos indicam mostram períodos sucessivos.

O grande problema de ensinar este tipo de conceito é que ele é falso. Se o texto do livro, ou a fala do professor, ou da professora enunciam que “as partes da planta são …”, leva o aluno à crença de que é natural uma planta contendo todas essas partes. A forma como nós ensinamos esses conteúdos aos alunos induz a erros.

É com este tipo de ensino que a escola se distancia da realidade, já que considera padrão conteúdos irreais.

O problema torna-se ainda maior quando consideramos que muitos professores e professoras ensinam o tema plantas para, depois, colocar em uma prova escrita a pergunta: “quais são as partes da planta?”. E, certamente, se a criança responder “depende da planta”, vão avaliar que esta resposta “está errada” . (SIGNORELLI, 2001)

Enfatizamos aqui que é fundamental preocupar com conteúdos que sejam selecionados e que realmente mostrem a realidade, e que possibilite tempo para se pensar o que se aprendeu. Ao estudar as plantas deve-se ter em mente o pensamento na grande diversidade existente. Destacando, ainda, o fato de que existem árvores e arbustos que passam parte do ano com aparência de que estão mortos, ou secos, e que depois de certo tempo, voltam a ter folhas, flores e frutos, ou seja, que o ciclo de vida da planta é como um círculo que se repete a cada ano.

Com isso, ler e responder questões do livro de Ciências apenas não atinge mais os objetivos de uma educação ambiental eficaz. Sugerimos que aluno e professor envolvam-se ativamente, refletindo, questionando e pesquisando sobre os diferentes conteúdos de tal forma que integrem-se ao seu meio sócio-ambiental.

7- Conviver com a natureza

Já citamos aqui a importância de aproximar as crianças da natureza, mas conviver vai além disso. Quando a criança entra em contato direto com as plantas, estabelece-se a relação: criança e seres vivos: observar, comparar, relacionar uns com os outros, é intensamente envolvente. O contato das crianças com as plantas pode se dar por meio de uma horta dentro da escola, da criação e cuidados com um aquário, ou por meio de vasos onde se possa cultivar plantas frutíferas e outros tipos de vegetais.

A convivência com a natureza possibilita a descoberta de si mesmo, como parte integrante do mundo físico e responsável pelo seu equilíbrio. O contato com o mundo natural leva a criança à percepção de uma outra dimensão além da tecnologia e do conforto material.

Aproveitando a horta da escola, as crianças podem plantar cenouras, alfaces, couves, e ao serem colhidas usarem a produção para sucos ou saladas feitos por elas dentro da cozinha experimental da escola. No caso da escola não possuir uma horta, pode-se utilizar de garrafas pet, e fazer uma horta suspensa onde poderão ser plantadas salsa, cebolinha, que podem ser utilizados na comida infantil.

8- Trabalhar sempre com interdisciplinaridade

Nos dias de hoje espera-se que os educadores sejam capazes de contextualizar os conteúdos e articulá-los nas diferentes disciplinas, ou sendo vários professores de entrarem em acordo e trabalharem em equipe.

Para uma prática efetiva de educação ambiental deve haver a interdisciplinaridade na escola e não restringi-la as aulas de Ciências.

9- Tornar-se um ponto de coleta seletiva

A coleta seletiva de materiais recicláveis nas escolas é um caminho para educar e mudar comportamentos. Caminho oportuno, considerando a situação crítica de limpeza urbana e de disposição final do lixo, comum a cidades de pequeno, médio e grande porte.

Informações do setor público, do privado e da sociedade civil facilitam que as escolas desenvolvam ações práticas de implantar a coleta seletiva de materiais, especialmente o papel. Como a coleta domiciliar de materiais recicláveis é muito cara, pois exige equipamentos, veículos e sistemas de coleta especiais, o início desse processo pode partir de pontos fixos, ressaltando-se as escolas, as empresas os locais de entrega voluntária.

As escolas produzem resíduos próprios, como grande quantidade de papel, sendo também pontos de convergência da comunidade e locais de afluxo cotidiano de alunos e professores que podem trazer os materiais recicláveis coletados nos domicílios.

Havendo locais de disposição temporária desses recicláveis, eles podem ser coletados periodicamente por compradores contratados pelas escolas, dentre listagem levantada previamente.

10- Divulgar o projeto

A partir do momento em que os trabalhos realizados são divulgados, um público maior é informado e incentivado a adquirir hábitos que farão a diferença no todo. Então, descobrir e priorizar temas relacionados com a comunidade em que a escola está inserida como: problemas com lixo, com saneamento, com algum rio ou alguma doença, criando programas e atividades que levem a transformações sócio-ambientais, ouvindo todos os membros da comunidade escolar e oferecendo espaço para discussão, debate e análise dos mesmos é essencial.

Pode-se, ainda, registrar os efeitos positivos, as soluções criativas, mensagens e dicas através de um jornal escolar, ou mesmo realizar passeatas, festas e feiras culturais ambientais, o que servirá como alerta à população e demonstrará o engajamento e compromisso da escola.

Observações importantes:
  • A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor.
  • O professor deve mostrar que para adquirir consciência sobre as questões ambientais, os alunos terão de se envolver em um aprendizado constante, pois as transformações naturais também ocorrem de maneira continuada.
  • A maior preocupação dos professores deve ser a de desenvolver valores, atitudes e posturas éticas em seus alunos.
Bibliografia e dicas de leitura:
  • BRASIL: Educação Ambiental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Secretaria de Educação Fundamental, 1997.
  • DIAS, G.F: Educação Ambiental: Princípios e Práticas. 6ª Edição. Editora Gaia. São Paulo, 2000.
  • DOHME Vânia e Walter: Ensinando a Criança Amar a Natureza ; Informal editora – São Paulo, 2002.
  • OLIVEIRA, E. M. Educação Ambiental – Uma Possível Abordagem. 2ª Edição. Ed. IBAMA. Brasília, 2000.

Paty Fonte (Patricia Lopes da Fonte)

Educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora dos livros “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar” e “Pedagogia de Projetos – Ano letivo sem mesmice”, ambos publicados pela editora WAK; autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante.

Idealizadora e diretora dos sites: www.projetospedagogicosdinamicos.com e www.cursosppd.com.br

Contatos: www.patyfonte.com.brwww.facebook.com/pedagogiadeprojetos/

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