Aleitamento Materno – Seja “amiga do peito”

Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM 2015), de 1 a 8 de agosto

Recentemente, procurei incentivar minha cunhada, que estava com neném recém- nascido, a amamentar ao seio.Ela queria muito, e estava sinceramente empenhada em tentar. Mas, como toda “mãe de primeira viagem”, sofria com a situação real, que é bem distante da ideal.

Antes de nossos filhos nascerem, geralmente ficamos empolgadas procurando orientações diversas para estarmos preparadas para receber o bebê. Em relação à amamentação, muito se escreve, mas as vivências são controversas. Há uma enorme diferença entre teoria e prática, porque apesar de ser fácil para alguns, para outros é um grande desafio.

Se você começar a ler experiências pessoais na Internet, perceberá que alguns tratam o ato de amamentar como uma simbiose perfeita entre mãe e filho, sendo tão tranquilo e natural que se você não está conseguindo, se sente culpada e até “defeituosa”.

O ato de sucção é realmente instintivo para o bebê, e ele certamente procura o seio materno com afinco. Porém, se a mãe estiver ansiosa demais, o momento da “pega” se tornará doloroso, porque o bico e a auréola devem estar bem encaixados na boquinha do bebê, e com a pressa isto se torna complicado. O processo deve ser repetido várias vezes até que seja realmente “aprendido” por mãe e filho.

Mesmo as mães que saem do hospital com seu filhinho sugando corretamente o seio podem desanimar e deixar de amamentar. Posso agrupar os motivos em dois fatores principais:

  1. Perda da motivação (interna);
  2. Influências externas negativas.

Quanto ao primeiro fator, a mãe precisa estar realmente motivada para dar continuidade ao processo de amamentação. Apenas para algumas mulheres “privilegiadas” pela natureza não ocorre nenhum tipo de dificuldade. O formato do bico do seio, a maneira de posicionar o bebê, a importância que a mãe dá ao leite materno para a alimentação do recém- nascido e o estado de espírito após o parto são conexões complexas e interdependentes para o sucesso ou a desistência do ato de amamentar.

Por isso, dê prioridade à leitura de textos médicos e institucionais que incentivem a amamentação. Como já dito, muitos relatos na Internet são experiências pessoais, não servem para elucidar claramente o que é o ato de amamentar.

Faça cursos em postos de saúde pública. A equipe de enfermagem dos postos é a melhor fonte de consulta e incentivo ao correto método em relação ao seu corpo. Também poderá ser orientada pelo médico do pré- natal sobre como preparar o bico do seio (especialmente se você quase não o tem) para que o seu bebê tenha mais facilidade de sugá-lo.

Um alerta: nenhum médico da rede privada (e foram muitos os consultados por mim nas minhas três gestações) deu- me o incentivo teórico e prático sobre amamentação que encontrei nos postos públicos. Por isso, faça o esforço de frequentar ambos. Para ter a força de vontade para continuar o processo de amamentar, você precisa enculturar-se!

Quanto ao segundo fator, a futura mãe sempre espera o apoio e o incentivo dos familiares. Mas este nem sempre ocorre. Isso porque a geração deles foi incentivada a utilizar mamadeiras e leite em pó como alternativas mais saudáveis que o seio materno! Foram bombardeados por esta propaganda na mídia, e guardam na memória a ideia de que o leite materno é “fraco”, não deixa a criança pegar peso e, consequentemente, o melhor seria oferecer o leite “aditivado”.
É bem verdade que o bebê alimentado ao seio irá “sugar” a mãe em todos os sentidos. Serão muitas mamadas durante o dia, num processo denominado “livre demanda”. Isso de forma alguma significa que o leite materno seja fraco ou que esteja em pouca quantidade. Beba bastante água e terá leite suficiente para seu bebê. E ainda terá a vantagem de perder todos os quilinhos que ganhou na gravidez!

Se você não estiver firmemente decidida a continuar, acabará dando ouvidos a comentários desanimadores e introduzirá a mamadeira como “complemento”. Aos poucos, a criança largará o seio e apenas irá mamar no bico “mais fácil” da mamadeira, substituindo completamente a alimentação natural pela artificial.

Embora não existam regras e cada caso seja único, as dicas aqui dadas visam incentivar a alimentação ao seio. Acredito que podem significar muito para a futura mamãe, que deseja iniciar uma relação achegada com seu bebê. O ato de amamentar proporciona este vínculo, e todo o esforço valerá à pena, pois o retorno virá em carinho e saúde para seu bebê.

Acesse também: o site da IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby FoodAction Network) http://www.ibfan.org.br/

As mães podem incluir mais um item à lista de benefícios que a amamentação proporciona: o aumento do QI dos bebês. É o que indica uma nova pesquisa realizada no Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, divulgada no final de julho de 2013. Cientistas acompanharam mais de 1.300 crianças com três anos de idade e, segundo os pesquisadores, as que foram amamentadas tiveram melhores resultados testes. Além do desenvolvimento cognitivo, o leite materno traz uma série de outros benefícios, entre eles o aumento da imunidade e a prevenção de anemia, alergias e outras doenças para o bebê. E para a mãe, o aleitamento ajuda na recuperação física pós-parto, também previne doenças e diminui a incidência de câncer de ovário e de mama. E, claro, aprofunda o vínculo afetivo mãe e filho. Até o dia 8 de agosto, a Organização Mundial da Saúde chama atenção para na 24ª Semana Mundial de Aleitamento Materno, quando 120 países se mobilizam para tratar do assunto.


Karine Dull, professora de História do Ensino Fundamental no Município do Rio de Janeiro, mestre em História do Brasil pela UFRJ, atualmente realizando trabalho de pesquisa de dados sobre a História do Parto no Brasil para posterior tese de Doutorado.

Contatokarinedullsampaio@gmail.com

 

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