A inclusão da criança com deficiência visual

A questão da inclusão de crianças com deficiências visuais na rede regular de ensino insere-se no contexto das discussões, cada vez mais em evidência, relativas à integração de pessoas portadoras de deficiências visuais enquanto cidadãos, com seus respectivos direitos e deveres de participação e contribuição social.

Conceito de deficiência visual: é um impedimento total ou a diminuição da capacidade visual decorrente de imperfeição no órgão ou no sistema visual.

As causas de deficiências visual podem ser congênitas ou adquiridas:

Atrofia óptica – perda total ou parcial da visão;
Catarata congênita – embaçamento do cristalino;
Glaucoma congênito – aumento da pressão interna do olho
Doenças hereditárias: abinismo, daltonismo (não consegue distinguir as cores), hemophilia (hemorragia), anomalias na retina ou na córnea ou na íris, altas miopias;
Conjuntivite gonocócica – quando a mãe apresenta uma doença venérea e esta é transmitida durante o parto;
Toxoplasmose – infecção do feto durante a gravidez através de agentes transmissores;
Retinopatia do recém-nascido – bebês prematuros expostos à aplicação de oxigênio;
Retinose pigmentar – é uma doença hereditária, se manifesta no jovem. Não existe cura e leva à cegueira;
Coreorretinite macular – processo inflamatório que atinge a coróide e retina (perda das cores e imagens distorcidas);
Miopia – dificuldade de ver nitidamente à distância;
Hipermetropia – dificuldade de ver nitidamente de perto;
Astigmatismo – esforços visuais para perto e longe;
Ambliopia ou estrabismo – conhecido como olho preguiçoso;

É fundamental a prevenção – diversos exames ajudam a prevenir grande parte desses riscos.

Identificação: identificar uma criança cega é mais fácil do que significar uma criança portadora de baixa visão. A criança pode permanecer durante muito tempo em casa e na escola sem que sua deficiência seja detectada. Há de se atentar para: atraso de desenvolvimento, desvio de um dos olhos, não seguimento visual de objetos, borramento súbito ou paulatino na visão (vermelhidão, mancha branca nos olhos, dor, lacrimejamento, flashes, retração do campo de visão) – esta última é mais comum em adultos.

Após diagnosticada a deficiência pode oftamologista especializado em baixa visão este fará a indicação a auxílios ópticos especiais e orientará sua adaptação.

O professor após o diagnóstico levantará suas necessidades de adaptações e uso de recursos, lembrando que:

  • As necessidades são individuais;
  • Deve-se fazer uma relatório diário de como a aluno vem se apropriando das imagens;
  • As adaptações são sujeitas a mudanças;
  • Deve haver um trabalho contínuo com o aluno deficiente de auto confiança e valorização das próprias capacidades, eficiência, desenvoltura…
  • Deve-se engajar a família no processo de apoio
  • O aluno deve continuar na escola com o apoio dos profissionais de educação;
  • Deve haver espaço adequado e com segurança;
  • Deve-se criar independências e autonomias adequadas dependendo da faixa etária do aluno;
  • Deve-se explorar bastante os sons, o vento e a luminosidade
  • A orientação e a mobilidade sempre farão parte da aprendizagem para a criança com deficiência visual;
  • As crianças com DV devem Ter os mesmo direitos das outras crianças;
  • As crianças com DV devem freqüentar a escola para desenvolver plenamente suas pontencialidades;
  • Cada criança tem seu tempo e sua capacidade de entender e de se portar diante aos fatos;
  • A criança com DV não deverá jamais ser relegada. Esta apresenta condições de aprender e se desenvolver.
  • Devem haver materiais variados, para uso comum como para uso individual, não deverá haver mudanças no mobiliário e nem nos objetos em classe com alunos portadores de DV;
  • Deve ser usado um mural para que o aluno uso tatilmente;
  • Devem haver materiais com texturas diversas;
  • Devem haver cantinhos de livros adaptados e textos em braile;
  • O ambiente deve ser propício à alfabetização tanto para crianças normais como para portadoras de deficiências visuais, caso haja alguma na turma;
  • Registrar os textos oralmente à tinta e em braile, sempre que possível, havendo caso de DV em sua turma.
  • É importante integrar o aluno à turma regular. Transcrição de livros e provas em braile e em tipos ampliados;
  • Recursos tecnológicos como gravador, CDs, cassete, computadores e máquina de datilografia são importantes em sala de aula que contém algum aluno com DV.

Presente a uma criança cega

Ofereça-me liberdade para que eu possa usar minhas mãos, meus pés e todos os meus sentidos com plenitude.

Ofereça-me desafios para que os enfrente, desfrute e aprenda com eles, podendo crescer em experiência e segurança.

Ofereça-me independência ajudando-me naquilo que não posso, e estímulo em fazer aquilo que posso.

Ofereça-me limites como a todas as crianças para que eu possa crescer como pessoa.

Ofereça-me exigências para que eu possa mostrar toda a minha capacidade.

Ofereça-me igualdade de oportunidades para que eu triunfe na vida de acordo com meus esforços e perseverança.

Ofereça-me uma bengala e incentiva-me a usá-la, para não depender de bengalas humanas.

Ofereça-me apoio, e não ocupar-se por mim.

Ofereça-me amor apesar de minha diferença.

Mas não me ofereça superproteção, indiferença nem compaixão, porque são esforços inúteis.

Se me oferece tudo isso serei completamente feliz e poderei fazer felizes todos ao meu redor.

Dicas de leitura sobre o tema: http://www.fundacaodorina.org.br/


Traduzido por Marco Antonio de Queiroz do site argentino: Taller de Teatro para Actores Ciegos , infelizmente hoje já inexistente.

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