A importância do brincar

Na infância o jogo é essencial. Brincando e jogando, a criança reproduz suas vivências e, transforma a realidade de acordo com seus interesses e desejos, de forma dinâmica e criativa.

Os elementos do jogo, como o conjunto de regras, a competição, o tempo e o espaço em que ele ocorre, colocam a criança em situações de adaptação e readaptação, que provocam diferentes atitudes comportamentais e, consequentemente, exigem que ela esteja constantemente desempenhando seu papel social de criança.

Desta forma, o jogo não representa apenas as experiências vividas, mas prepara o indivíduo para o que está por vir pois, exercita habilidades e, principalmente, estimula o convívio social. Por tudo isso, ressaltamos o grande valor educativo do jogo e a importância de se trabalhar esse conteúdo nas escolas, de forma comprometida com a formação física, intelectual, moral e social do aluno.

O jogo é um fim em si mesmo para a criança; para nós, deve ser um meio. Daí este nome “jogos educativos”. A criança deve jogar, mas todas as vezes que você lhe dá uma ocupação que tem a aparência de um jogo, você satisfaz essa necessidade e, ao mesmo tempo, cumpre seu papel educativo.

É preciso conciliar a presença do jogo com o objetivo educativo, que não deve ser abandonado. Seu papel é preparar a educação de suas faculdades física, intelectual e moral, convidando-as a exercícios que as agradem, que sejam uma alegria para elas, pelos quais tomem gosto, chegando assim a trabalhar sem o saber: “o jogo é o trabalho da criança”.

A expressão “jogo educativo” traduz esta conciliação, este acordo entre o respeito à criança e a necessidade de continuar a disciplinar o processo educativo.

Aos exercícios recreativos substitui-se a expressão “jogo educativo” para mostrar que tudo isso definitivamente tem a ver com o jogo.

Na teoria que embasa o brincar, há muita confusão sobre o significado das palavras brinquedo, brincadeira e jogo. Nos dicionários, os significados se equivalem. No entanto, no senso comum, brinquedo é usado para objetos como boneca, bola, carrinho, etc.; já brincadeira remete à idéia de ação e movimento, envolve os tradicionais esconde-esconde, ciranda, casinha e outros, e jogo é uma atividade competitiva, com regras e procedimentos, como nos jogos de tabuleiro ou de quadra.

Divertindo-se, a criançada aprende a se relacionar com os colegas e a descobrir o mundo à sua volta. Por isso, é papel da escola garantir espaços para atividades lúdicas, tanto em sala de aula como ao ar livre.

Para GILLES BROUGÈRE (2003), a criança não nasce sabendo brincar: ela aprende, primeiro com a mãe e depois com outros familiares. E assim é desde os tempos mais remotos. Por isso, diversos cientistas, antropólogos, psicólogos e sociólogos focaram suas pesquisas na relação do indivíduo com o lúdico.

POR QUE BRINCAR?

Porque o brinquedo é a oportunidade de desenvolvimento. Brincando a criança experimenta, descobre, inventa, exercita e confere suas habilidades.
O brinquedo estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança. Proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração, da atenção.
O brinquedo espontâneo pode ser considerado sob dois aspectos: auto-expressão e auto-realização.
A nível de auto-expressão estão as atividades livres, construções, dramatizações, música, artes plásticas, etc.
A nível de auto-realização, o brinquedo organizado, ou seja, aquele que tem uma proposta e portanto requer determinado desempenho. Quanto mais simples o material, mais fantasia exige, quanto mais sofisticado, em maior desafio se constitui, mas é sempre uma oportunidade para que a criança interaja, faça escolhas e tome decisões.

BRINCAR COMO SINAL DE SAUDE:

O psicanalista inglês Donald Woods Winnicott (1896 – 1971) afirma que brincar é sinal de saúde, pois dificilmente uma criança que está bem se nega a entrar em uma atividade lúdica. Mas, até para detectar problemas físicos e psicológicos, as brincadeiras são úteis. Porque, enquanto brinca, a criança expressa seus sentimentos, tanto de alegria e envolvimento como de angústia, timidez, hostilidade, agressividade, medo, solidão, tristeza.

BRINQUEDO EDUCATIVO (JOGO EDUCATIVO):

O uso do brinquedo/jogo educativo com fins pedagógicos remete-nos para a relevância desse instrumento para situações de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento infantil.

Quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem, surge a dimensão educativa. Desde que mantidas as condições para a expressão do jogo, ou seja, a ação intencional da criança para brincar, o educador está potencializando as situações de aprendizagem. Utilizar o jogo na educação infantil significa transportar para o campo do ensino-aprendizagem condições para maximizar a construção do conhecimento, introduzindo as propriedades do lúdico, do prazer, da capacidade de iniciação e ação ativa e motivadora.

Ao assumir a função lúdica e educativa, o brinquedo educativo merece algumas considerações:

Função lúdica: o brinquedo propicia diversão, prazer e até desprazer, quando escolhido voluntariamente; e

Função educativa: o brinquedo ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo.

O brincar, dotado de natureza livre, parece incompatibilizar-se com a busca de resultados, típica de processos educativos. Como reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar?

Se a criança está diferenciando cores, ao manipular livre e prazerosamente um quebra-cabeça disponível na sala de aula, a função educativa e a lúdica estão presentes. No entanto, se a criança prefere empilhar peças do quebra-cabeça, fazendo de conta que está construindo um castelo, certamente estão contemplados o lúdico, a situação imaginária, a habilidade para a construção do castelo, a criatividade na disposição das cartas, mas não se garante a diferenciação das cores. Essa é a especificidade do brinquedo educativo. Apesar da riqueza de situações de aprendizagens que propicia, nunca se tem a certeza de que a construção do conhecimento efetuado pela criança será exatamente a mesma desejada pelo professor.

A utilização do jogo potencializa a exploração e a construção do conhecimento, por contar com a motivação interna, típica do lúdico, mas o trabalho pedagógico requer a oferta de estímulos externos e a influência de parceiros bem como a sistematização de conceitos em outras situações que não jogos. Ao utilizar de modo metafórico a forma lúdica (objeto suporte de brincadeira) para estimular a construção do conhecimento, o brinquedo educativo conquistou espaço definitivo na educação infantil.

“Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.” (Carlos Drummond de Andrade)

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